Randa Achmawi
Cairo – O trabalho da restauradora brasileira, Ilza Dutra, também esposa do embaixador do Brasil no Cairo, Elim Dutra, foi destaque da edição de novembro da revista egípcia Al-Beit Al Ahram. O artigo "Terapeuta da arte luta contra o envelhecimento" falou do trabalho, do percurso da artista brasileira e das dificuldades de conciliar sua profissão com contínuas viagens e mudanças de países que lhe são impostas pela vida diplomática.
"Sempre tive vontade de salvar a arte", diz Ilza à Al-Beit. De acordo com a revista, sua relação com a arte da restauração começou por acaso. "Um amigo que trabalhava nesta área me pediu uma vez que desse minha opinião sobre uma de suas obras. Foi neste momento que me apaixonei por esta atividade", diz. Na época, há quase 20 anos, seu marido recém tinha sido transferido para os Estados Unidos e acabou sendo neste país que Ilza teve a oportunidade de dar os primeiros passos em sua vida profissional.
"Lá estudei restauração e tive a sorte de ser convidada, em seguida, para trabalhar no Museu das Nações Unidas durante dois anos", conta ela na matéria. "Meu chefe era excelente, um grande professor. Ele parecia saber de tudo e sabia como transmitir seu conhecimento e técnicas deste trabalho. Um dia ele me trouxe uma pintura, um retrato de São Francisco de Assis, e disse: é para você". Segundo a artista brasileira, este gesto foi para ela determinante porque mostrava a confiança do mestre em sua capacidade de restaurar sozinha uma obra como aquela. "Senti muita felicidade naquele momento".
"A restauração é um trabalho difícil onde é necessária muita precisão em cada passo e requer um grande conhecimento de física e de química", explica. Após a estadia nos Estados Unidos, Ilza trabalhou na Colômbia. "Em Bogotá eu quis aprofundar meus conhecimentos num setor especifico da restauração: o da química", relata a artista em sua entrevista à Al Beit. Ela acabou, no entanto, sendo convidada para trabalhar no prestigioso Centro Santa Clara de Restaurações, o que foi uma nova etapa rumo à realização profissional.
Mais tarde, Ilza também começou a restaurar cerâmica antiga. "Trabalhar com cerâmica da era pré-colombiana é uma oportunidade e um privilégio que não se apresenta para muita gente. E isso sobretudo num país onde existe uma grande consciência sobre a importância da preservação do patrimônio cultural", explica ela. Um tempo depois, ela tomou o rumo de países como a Alemanha e a Suécia, onde não pode exercer publicamente seu trabalho. "Foi por esta razão que acabei criando, com duas amigas, um ateliê de restauração no Brasil. Mas infelizmente nem sempre tenho oportunidade de passar muito tempo por lá", diz.
A entrada de sua residência no Cairo está repleta de obras de arte, pinturas e esculturas de madeira de seu marido, o escultor e embaixador do Brasil, Elim Dutra. Segundo a reportagem de Al Beit, uma coincidência parece ter unido os destinos de um escultor e de uma restauradora. "Ele cria obras de arte e ela as preserva", diz a matéria. A reportagem é concluída com Ilza dando alguns conselhos sobre como atenuar os efeitos do envelhecimento de obras de arte.

