Da Agência Brasil
São Paulo – Nos próximos dias, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participa da reunião ministerial do G-20 em Nova Delhi, na Índia, na qual será discutida a adoção de estratégias conjuntas para a 6ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), prevista para dezembro, em Hong Kong. O encontro também marcará a entrada do Uruguai no G-20.
O G-20 foi criado em agosto de 2003, na fase preparatória da 5ª Conferência Ministerial da OMC, em Cancun, para defender interesses comuns dos países em desenvolvimento em questões agrícolas. O grupo concentra 13% do PIB (bens e serviços produzidos por um país ou um grupo de países) mundial e 21% do PIB agrícola global, 57% da população e 70% da população agrícola do mundo. Também responde por 26% das exportações agrícolas mundiais – detém 62% da produção global de açúcar, 50% da de café, 62% da de soja, 54% da de algodão, 72% da de arroz e 70,5% da de tabaco.
O G20 não obteve resultados concretos no encontro de Cancun. Desde então, realizou duas reuniões ministeriais no Brasil – em Brasília (dezembro de 2003) e em São Paulo (junho de 2004) – além de diversas reuniões técnicas para discutir propostas específicas no contexto das negociações sobre a agricultura da OMC. Agora, na Índia, espera-se a aprovação de uma declaração do G-20 para que comecem a ser formuladas as posições do grupo para a Conferência de Hong Kong.
Em Nova Delhi, as discussões devem ir além do tema agricultura. “A negociação chegou a um ponto em que não é mais possível não tocar em outros temas, como serviços”, afirma André Nassar, diretor-executivo do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Para ele, haverá um esforço dos participantes no sentido de “amarrar expectativas” em outras áreas, para que ambições individuais não se sobreponham aos interesses comuns em Agricultura.
Mercosul
Celso Amorim também participa, em Nova Delhi, da assinatura dos Anexos ao Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia. O texto principal do acordo foi assinado em janeiro de 2004, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia. De acordo com o Itamaraty, o acordo envolve 900 produtos em diversos setores das economias do Mercosul e da Índia, com destaque para materiais elétricos e químicos.
Segundo o Itamaraty o acordo representa o primeiro passo para a criação de uma área de Livre Comércio entre o Mercosul e a Índia – décima primeira maior economia do planeta e a que mais tem crescido, depois da China, nos últimos dez anos. Estudo da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) indica que a efetivação de uma área de livre comércio multiplicaria em 16 vezes o comércio entre as regiões. Com isso, as exportações do Mercosul para a Índia saltariam de US$ 1 bilhão para US$ 13,6 bilhões e as exportações da Índia para o Mercosul, dos atuais US$ 650 milhões para U$12,7 bilhões.
O ministro participará, ainda, da reunião do Fórum Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) sobre questões econômico-comerciais, que vai discutir a expansão do comércio entre os três países, promoção de investimentos, transferência de tecnologia, aprimoramento de linhas de transporte e cooperação econômica. O encontro dará continuidade às discussões iniciadas na 2ª Reunião da Comissão Mista do Ibas, realizada na Cidade do Cabo (África do Sul), de 7 a 11 deste mês.

