Dubai – As empresas brasileiras de pisos e revestimentos cerâmicos que buscam uma fatia no mercado árabe precisam enfrentar fortes concorrentes. A disputa não fica apenas com países europeus, mas com os próprios fabricantes locais. A Rak Ceramics, a maior fabricante de revestimentos cerâmicos do país, está presente em 150 países e tem uma produção diária de 225 mil metros quadrados.
"Não temos concorrentes", afirma o gerente de desenvolvimento de negócios da empresa, Omar A. Ibrahim, que está participando como expositor na feira Big 5, em Dubai. A companhia, que tem sede no emirado de Ras Al Khaimah, pertence a um grupo de 14 empresas, o Rak Group, do vice-governante de Ras Al Khaimah, Khater Massad.
De acordo com Ibrahim, a crise não afetou os negócios da companhia. No ano passado, as vendas somaram US$ 524 milhões e este ano, a expectativa é de chegar a US$ 800 milhões. Enquanto a produção de outras empresas diminuiu, por conta da crise, o gerente conta que a Rak Ceramics teve que aumentar a produção em 10%. Os pisos da empresa árabe estão presentes nas grandes obras do Golfo e do mundo.
Além da fábrica nos Emirados, a Rak tem linhas de produção na Índia, China, Sudão, Bangladesh e Irã. A produção global da empresa é de 325 mil metros quadrados de revestimentos cerâmicos por dia. "Nosso produto é de alta qualidade", afirma Ibrahim. Segundo ele, depois dos Emirados, os maiores mercados da empresa são o GCC, com 22% e Europa com 22,5%.
De acordo com o gerente, o Brasil seria um forte concorrente no mercado árabe, mas por causa da distância, o custo do frete se torna um grande empecilho. "Sei que a qualidade do produto brasileiro é muito boa", disse.
Do lado europeu, está presente na Big 5 a Mapisa Cerâmica, da Espanha. A companhia, no mercado desde 1973, começou a exportar para os árabes na década de 80 e hoje os países do Oriente Médio correspondem a 35% da produção da empresa. "O mercado árabe e o russo são nossos maiores mercados", disse o gerente da Mapisa, David de La Cruz.
Com 250 funcionários e uma produção de 1,2 milhão de metros quadrados ao ano, a Mapisa exporta para quase todos os continentes. Segundo Cruz, essa é a primeira vez que a empresa participa da Big 5. "Esperava um número bem menor de visitantes, mas fiquei surpreso. Fiz muitos contatos em potencial", disse Cruz, que chegou a fechar negócios com novos clientes árabes na feira.
As vendas da empresa são realizadas diretamente para os varejistas do mercado árabe. "Não trabalhamos com exclusividade", disse. "Uma das vantagens do mercado espanhol é que estamos muito próximo dos países árabes, diferentemente do Brasil", acrescentou.
Mesmo com fortes concorrentes, as empresas brasileiras do setor de cerâmica na Big 5 fecharam negócio. A Itagres, por exemplo, de Santa Catarina, fechou embarques para Emirados Árabes, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Iraque, além da Índia e da própria Espanha. A empresa Villagres, que já tem clientes no mercado árabe, também fechou um pedido para Dubai.
"A concorrência brasileira no mercado árabe é forte. Na feira, percebi que tenho que adaptar melhor o meu produto ao gosto dos árabes", afirmou o gerente de exportação da Villagres, Jorge Martins.

