Marina Sarruf
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São Paulo – Exportar melão, melancia, manga, abacaxi e banana para o mercado árabe é o grande desafio do setor de fruticultura do estado do Rio Grande do Norte. Para conseguir entrar nesse mercado, uma delegação do setor visitou ontem (25) a sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, em busca de maiores informações sobre os potenciais compradores.
“O Rio Grande do Norte é o segundo maior exportador de frutas frescas do Brasil, sendo o melão o nosso carro-chefe”, afirmou o presidente do Comitê Executivo de Fitossanidade do Rio Grande do Norte (Coex), Francisco de Paula Segundo. De acordo com ele, a idéia é primeiro apresentar o setor para o mercado árabe para depois começar a exportar. “Sabemos que os árabes são grandes consumidores de frutas e todas as nossas empresas exportadoras são certificadas e estão aptas para atender a demanda”, acrescentou.
O estado do Nordeste é responsável por 90% da produção brasileira de melão. No ano passado, o Rio Grande do Norte embarcou 204 mil toneladas da fruta para o mercado externo, sendo que 80% foi para a Europa. “Sabemos que a fruta brasileira chega no mercado árabe pela Europa, mas queremos exportar direto”, disse de Paula. Ele afirmou ainda que o melão representa 50% das exportações de frutas do estado.
Segundo de Paula, uma das principais razões para o estado ser grande produtor de melão é que ele consegue produzir a fruta durante o ano todo. “Temos muito sol e pouca água. A presença do sol constante na plantação faz com que as frutas amadureçam mais depressa. Nossa produção consegue ser duas vezes e meia mais rápida que a de países concorrentes. Isso é um diferencial nosso e é um atrativo no mercado externo”, destacou.
A maioria dos produtores do setor no estado é formada por pequenos e médios produtores. A fruticultura gera 80 mil empregos em toda a cadeia produtiva. “Somos uma grande vitrine de frutas para o mundo”, afirmou de Paula. Segundo ele, a idéia do governo do estado e das entidades ligadas ao setor é ter o apoio da Câmara Árabe para conseguir trazer importadores árabes para visitar o estado e conhecer a produção de frutas. A delegação também mostrou interesse em participar da próxima edição da Gulfood, feira de alimentos que acontece em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em fevereiro.
O grupo convidou representantes da Câmara Árabe para visitar a próxima edição da Feira Internacional da Fruticultura Irrigada (Expofruit), que será realizada entre os dias 5 e 7 de junho, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. No ano passado, foram fechados negócios da ordem de US$ 12 milhões durante o evento.
Visita
Na sede da Câmara Árabe, os representantes do setor de fruticultura foram recebidos pelo coordenador de desenvolvimento de mercados da entidade, Rodrigo Solano, que fez uma apresentação geral sobre o mercado árabe e sobre os serviços oferecidos pela entidade.
Além do presidente do Coex, também estiveram presentes na reunião o gestor do projeto fruticultura do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Mossoró, Franco Marinho Ramos, o superintendente do Sebrae de Natal, José Ferreira de Melo Neto, o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico de Mossoró, Nilson Brasil, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Marcelo Caetano Rosado Maia Batista, e o diretor da empresa Pillar, Naji Harb.

