São Paulo – Vinte empresas árabes e 50 tradings brasileiras participam de rodadas de negócios no “Brasil Trade Oriente Médio”, nesta quarta (08) e quinta-feira (09), em São Paulo. Os importadores árabes são dos setores de alimentos, materiais de construção e móveis. A expectativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex), que organiza o evento em parceria com o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Exportadoras e Importadoras (CECIEx), é de que sejam gerados US$ 30 milhões em negócios.
As cerca de 250 negociações que devem acontecer nestes dois dias são uma continuação da primeira edição do “Brasil Trade Oriente Médio”, que aconteceu em maio, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O evento faz parte do Projeto Tradings do Brasil, promovido pela Apex com o objetivo de fomentar as exportações, especialmente das pequenas e médias empresas brasileiras.
Segundo Juarez Leal, coordenador da Unidade de Projetos da Apex, as empresas árabes participantes têm dado um retorno muito positivo das conversações. “Eles não conhecem profundamente qual o tipo de oferta brasileira. Eles têm uma noção pequena do nosso mercado e eles começam, com esse projeto, a ver o tamanho da importância do país”, destaca. O evento reúne empresas da Arábia Saudita, Emirados, Kuwait, Líbano, Síria e Jordânia.
O executivo ressaltou a relevância do mercado árabe para o aumento das exportações brasileiras. “Na Apex, a gente tem claro que o eixo do crescimento é o eixo sul, que passa por América Latina, África, Oriente Médio e Ásia. Então, é um dos mercados prioritários para a gente concentrar nossos esforços de promoção.”
Nawaz Khan, gerente–geral da Unique Closets, empresa saudita fabricante de guarda-roupas, relata que ainda não compra do Brasil, mas está buscando novas opções para fornecedores de matérias-primas para seus produtos. “Se o preço e a qualidade forem melhores, com certeza comprarei do Brasil”, diz. Atualmente, ele importa madeira e outros itens de países como Alemanha, Áustria, Espanha e Itália. O valor das importações é de dois milhões de euros por ano.
Carolina Salles, trader da empresa Serlac, que produz leite em pó, acredita que as rodadas devem gerar novos negócios para sua companhia, que já exporta para o mundo árabe. “A gente gosta desse mercado, a ideia é expandir bastante, por isso a gente vem participando da Gulfood e de eventos como esses.”
Rehan Yaqoob, diretor associado de Vendas em Atacado e Catering da Federal Foods, dos Emirados, já importa aves e carne do Brasil, e está procurando fornecedores para outros produtos no país, como óleo de soja, arroz e leite. “Hoje, encontrei com a Serlac, pois estamos buscando opções para leite, porque os preços na Europa estão altos devido aos subsídios. Acho que temos oportunidades no Brasil”, afirmou.
Roberto Ticoulat, coordenador da CECIEx, destaca a qualidade das empresas árabes participantes do evento. “O Oriente Médio é, antes de mais nada, o mercado que tem apresentado talvez o maior crescimento das exportações brasileiras”, diz. “Estou impressionado com o profissionalismo das empresas que vieram ao Brasil. Eu tenho colhido o ‘feedback’ dos participantes e estão todos muito bem impressionados com o potencial de negócios”, completa.
Para Maurício Manfré, coordenador do Projeto Tradings do Brasil, o evento deve ser positivo para todos os setores presentes. “Temos muita possibilidade de crescer em todos os setores. Somos mais fortes em alimentos, mas temos muita capacidade de inovação dos nossos produtos para competir com o resto do mundo.”

