Dubai – Representantes de empresas que participam da missão da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) ao Oriente Médio estão otimistas quanto aos resultados das reuniões com empresários árabes. Nesta terça-feira (15), eles participaram de rodada de negócios em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Nos dois dias anteriores, a delegação esteve na Arábia Saudita.
"Na Arábia Saudita foi muito bom, fizemos bastante contatos e temos expectativa de fechar [contrato] com um distribuidor local", disse o diretor comercial da Clap Foods, Ronaldo Evelande. A companhia de Luz, em Minas Gerais, fabrica alimentos congelados como panquecas, coxinhas, quibes, pizzas, lasanha e pão de queijo.
A indústria ainda não exporta para a região, mas se preparou bem, buscou certificação halal para seus produtos, o que garante que eles estão de acordo com a tradição islâmica, e traduziu suas embalagens para o árabe. "Nós nos preparamos para o evento", ressaltou o executivo.
A empresa vai ainda expor da Gulfood, feira do ramo de alimentos que começa no dia 19, em Dubai. "Nós convidamos os compradores interessados a visitar o nosso estande", acrescentou a assistente de comércio internacional da companhia, Camila Osório.
Outra marca que quer entrar no mercado árabe é a Café Fazenda Caeté, de Campo Belo, também em Minas. A empresa está promovendo um produto exclusivo, café torrado e moído em sachês, como se fosse chá. "Nós acreditamos que a cultura da infusão é bem difundida aqui", afirmou o diretor comercial da empresa, Fernando Reis Costa. De fato, os árabes tomam muito chá.
Além disso, Costa ressaltou que o consumo de café é alto e o mercado não é tão concorrido quanto o dos Estados Unidos, para onde a fábrica acaba de fechar sua primeira exportação. "É mais um alternativa para colocar nosso produto no mundo", declarou.
Ele acredita que o café em saquinhos pode ser bastante útil em hotéis e companhias aéreas, como substituto do café solúvel, e garantiu que o produto despertou bastante interesse de potenciais compradores. "Ele fascina pela simplicidade", destacou.
Outra empresa de Minas, a Abanorte, que exporta frutas, quer também começar a vender ao Oriente Médio. Segundo o diretor comercial, Cristiano Glória, a companhia tem condições atualmente de vender limões, manga e doce de banana em barras, mas ele viu oportunidades também para a comercialização de laranjas, além de polpas e frutas frescas para produção de sucos.
A Abanorte exporta para a Europa. "Queremos expandir o mercado para não ficar só na dependência dos europeus", afirmou. Ele busca um importador e distribuidor.
Entre as empresas que já atuam no mundo árabe, a Gomes da Costa, de pescados em conserva, pretende ampliar sua presença. De acordo com o gerente de exportação Dario Chemerinski, na Arábia Saudita a ideia é encontrar um parceiro que tenha grande penetração no país e se torne distribuidor exclusivo da marca. "Após esta missão eu vou conseguir um grande grupo que tenha essa penetração", afirmou.
Nesse trabalho a companhia tem alguns trunfos: experiência e boa aceitação em outros países da região, embalagens em árabe e o próprio Dario, que há um ano e meio estuda o idioma e é capaz de manter alguma conversação. Segundo ele, isso ajuda a criar empatia com eventuais parceiros de negócios.
Em Dubai, a Gomes da Costa busca um novo distribuidor, pois o atual, segundo Chemerinski, não atingiu as expectativas da empresa. "Queremos alguém que seja mais agressivo no mercado", destacou. Ele ressaltou que a cada missão aumenta o interesse pelos produtos da marca.
Outra veterana, a Chocolates Garoto, procura um novo perfil de distribuidor. A fábrica já fornece para grandes redes de supermercados na Arábia Saudita e nos Emirados, mas agora quer atingir pontos de venda menores, como mercearias e lojas de postos de gasolina. "Eu acredito que isso vai trazer um bom crescimento [para as vendas]", disse Alain Whebe, gerente da companhia para o Oriente Médio e outras regiões.
Ele afirmou que as exportações ao mundo árabe crescem, em média, de 5% a 6% ao ano. Nos Emirados, Whebe considerou os contatos bons, na Arábia Saudita, nem tanto.
Boa parte das empresas da área de alimentos que integra a missão vai expor na Gulfood. Antes, porém, elas vão ter mais um dia de rodada de negócios em Dubai.

