Geovana Pagel
e Marina Sarruf
São Paulo – As negociações entre empresários brasileiros e importadores e exportadores do Iraque, Jordânia, Líbano, Iêmen e Palestina, que estão no país em missão comercial, se encerram no final da tarde de hoje (15), no salão das Américas do hotel Renaissance, em São Paulo. Ontem (14), cerca de duzentos empresários brasileiros participaram das rodadas de negócios, segundo informações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB).
Entre os participantes do encontro estava Roberto W. Miguel, diretor-presidente da Pad, empresa especializada em soluções automatizadas para armazenagem, com sede em Indaiau, Santa Catarina. De acordo com ele, a companhia já está negociando contratos no Oriente Médio. "Estamos negociando 35 máquinas com um grande importador e distribuidor da marca Hering no Oriente Médio", contou.
Segundo Miguel, o sistema de armazenamento, que pode ser ou não refrigerado, é vertical e inteligente, ou seja, utiliza softwares de gerenciamento de estoques com tecnologia 100% nacional. "Ele pode ser programado para me avisar quando e quem fez alguma retirada, quando a mercadoria foi recolocada, ou ainda avisar quando o produto está acabando", disse.
Já a trading Curaçao do Brasil, sediada em São Paulo, participa das rodadas para vender material de construção, eletroeletrônicos, móveis, alimentos orgânicos e não-orgânicos e artigos de vestuário. A Curaçao, fundada por holandeses há 30 anos e com faturamento anual de cerca de US$ 5 milhões, já exporta para Austrália e países da Ásia.
No ano passado, a empresa contratou o trader Alexandre Gardin exclusivamente para prospectar o mercado árabe e o leste Europeu. "Gostaria de vender entre US$ 200 mil e US$ 300 mil durante a missão", disse. "Acredito, porém, que as rodadas vão servir principalmente para contatos que devem gerar negócios futuros", afirmou ele, que ainda neste primeiro semestre fará uma viagem de prospecção para vários países árabes com potencial para negócios como Marrocos, Egito, Arábia Saudita, Emirados e Líbano.
Projeto de promoção comercial
Outro empresário que participou do primeiro dia de rodadas de negócios foi o sírio Saleh Hatoum, radicado no Brasil há 26 anos, que é dono de uma camisaria, a Brites, em Maringá, no Paraná. Além de fazer contatos e apresentar seus produtos aos empresários árabes, Hatoum levou para o encontro um projeto de abertura de um escritório de representação no Líbano ou na Jordânia. "O estabelecimento deste escritório será meu ponto de partida para todos os países árabes, tanto no Oriente Médio como no norte da África", declarou.
Entre as possíveis funções do escritório estão o estabelecimento de contatos com as entidades comerciais; a realização de parcerias em diversas áreas, tanto com o governo brasileiro como com a iniciativa privada; incentivar o investidor árabe a investir no Brasil; economizar custos e tempo, tanto para o empresário brasileiro como para o empresário árabe; acompanhar os produtos brasileiros e coletar informações úteis sobre a aceitação, preço e consumo que possam ajudar as empresas exportadoras a conquistar o mercado da região. "É necessário um trabalho corpo a corpo muito competitivo", disse.
De Jundiaí, no interior de São Paulo, participou a Atlântica Internacional, que comercializa matéria-prima para sucos e concentrados de frutas. "Já exportamos para alguns países árabes, como Líbano, Arábia Saudita e Jordânia. É um mercado novo e forte", afirmou Flávia Breternetz, representante de exportação da empresa. Ontem ela fez contatos com empresários da Jordânia, Iêmen e Palestina.
US$ 200 mil em negócios
Do lado árabe, o empresário jordaniano, Mohamad Assad Kawasmi, diretor da trading Mohamad Assad Kawasmi & Sons, espera importar US$ 200 mil em produtos brasileiros, principalmente da área têxtil, como lingerie, meias, biquínis, enxoval para bebês, roupas masculinas e femininas em geral. "Fiz cerca de 20 contatos com empresários brasileiros", disse ele. Além da trading na Jordânia, Kawasmi ainda possui uma fábrica de suco em pó, em Dubai, nos Emirados.
Já o palestino, Wael Adel Kassess, diretor da Sama Trading Company, está interessado principalmente em doces, móveis, sucos e calçados brasileiros. "Fiquei impressionado com a quantidade de produtos que me ofereceram, desde chocolates, móveis e roupas até baterias para carros", disse. O empresário fez contato com, aproximadamente, 40 empresas. A Sama Trading Company já importa da Turquia e da China. "Será a primeira vez que vamos importar do Brasil. Achei os produtos fantásticos, estou orgulhoso do que vi", afirmou Kassess. As rodadas seguem hoje até às 18 horas.
Serviço
Missão Econômica e Comercial Árabe ao Brasil
Rodadas de negócios. Hoje a partir das 9 horas no hotel Renaissance
Salão das Américas, Alameda Jaú, 1.620, São Paulo- SP
Mais informações
Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB)
Setor de Marketing
Tel: +55 (11) 3283-4066
e-mail: marketing@ccab.org.br

