Geovana Pagel
São Paulo – Com apenas um ano e meio de existência, a malharia Anna Mariana Tricot, instalada em Francisco Beltrão, no Paraná, já está desenvolvendo a coleção de inverno 2008 especialmente para a Europa. As primeiras amostras serão enviadas para o representante da marca em Milão até o final deste ano. No mês de setembro, as criações da empresa fizeram o maior sucesso durante a participação na feira Milano Vende Moda, em Milão. "Vendemos todo o nosso mostruário. Cheguei a vender até o casaco que eu estava usando", conta Gláucia Hilgemberg, uma das sócias da empresa.
Gláucia e a irmã Cynthia Kureski, que desenha as peças produzidas pela malharia, divulgaram as criações mesmo sem estande na feira. "Era só vestir a camiseta do Brasil para garantir trânsito livre. Conseguimos mostrar nossas peças circulando pelos corredores e entrando no backstage dos desfiles", afirma Gláucia. "Como usamos muito crochê e muito bordado feito a mão, nossas peças chamaram muito atenção", explica a empresária.
Segundo ela, a Europa tem um potencial muito grande para os produtos porque lá não tem crochê. "Os trabalhos em tecido são muito bonitos e elaborados, mas tudo é feito via computador. Já a nossa produção é toda manual", completa.
A feira de Milão reuniu empresas de confecção de vários países com o objetivo, de além de ser uma grande vitrine de tendências no mundo da moda, promover um laboratório com oficinas de desenho e produção. "Ficamos muito satisfeitos em saber que a gente faz moda com preço e qualidade, o que nos torna bastante competitivos", diz a empresária.
De acordo com Gláucia, a decisão de participar de um evento internacional foi motivada pela participação da empresa na 3ª edição do Sudoeste Mostra Moda, que aconteceu no começo de setembro na cidade de Dois Vizinhos, no sudoeste do Paraná.
"O nosso desfile no Sudoeste Mostra Moda foi muito bom e importante. A nossa expectativa é abrir muitas portas para o mundo e também no Brasil. Levamos peças para Milão já com a preocupação de seguir a tendência da moda. Por isso, ligamos para os nossos fornecedores para sabermos quais são as cores da próxima estação, e eles ainda nem lançaram suas coleções de fios", conta Gláucia.
Empreendedoras
A idéia de montar uma malharia surgiu quando as irmãs Gláucia Hilgemberg, fisioterapeuta e Cynthia Kureski, psicóloga, mudaram da capital Curitiba para Francisco Beltrão. Elas perceberam que a cidade de 80 mil habitantes era carente no segmento de moda. "Percebemos que determinado estilo de roupa só era encontrado em Curitiba ou São Paulo. Foi aí que eu e a minha irmã decidimos fazer alguma coisa aqui", lembra.
O objetivo, no entanto, era montar uma malharia que se diferenciasse das demais, trabalhando com o conceito de que peças básicas e casuais podem trazer novidades que agreguem valor ao produto. "Para isso, buscamos fios especiais, pedrarias e a beleza de bordados e crochês para dar um toque especial às peças", diz Gláucia. Os bordados são produzidos por moças e senhoras da própria cidade, que complementam a renda familiar trabalhando como terceirizadas da Anna Mariana Tricot.
As sócias ainda investiram em máquinas, como uma passadeira que garante a qualidade dos fios mais elaborados usados na confecção. Hoje, no atelier onde Cynthia desenha as peças, trabalham mais três pessoas. Parte da produção mensal que fica entre 100 e 150 peças é vendida também para outras cidades paranaenses como Curitiba, Foz do Iguaçu e Palmas. São produzidos casacos, blusas, vestidos de tricô, entre outras peças. "Confeccionamos desde regatas até vestidos longos para formatura e casamento", destaca Gláucia.
Contato
Anna Marina Tricot
Telefone: + 55 (46) 3523-6636

