Da redação
São Paulo – O governo brasileiro recebe, a partir de hoje, o vice-primeiro ministro da Rússia, Boris Alioshin, acompanhado de uma delegação de 22 empresários. A visita tem o objetivo de aumentar o intercâmbio comercial e a cooperação em várias áreas de interesse dos dois países, informou o Ministério do Desenvolvimento.
O grupo ficará três dias no país e será recebido pela Subcomissão de Cooperação Econômica e Comercial, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e presidida pelo secretário executivo Marcio Fortes de Almeida, e também pelas Subcomissões de Cooperação Energética, Cooperação Espacial, Cooperação Técnico Militar e Cooperação Científica e Tecnológica.
Além das reuniões com o governo, haverá um encontro entre a delegação e cerca de 40 empresários brasileiros na CNI, às 18h30. O ministro Luiz Fernando Furlan irá promover a retomada dos trabalhos do Conselho Russo-Brasileiro de Cooperação Empresarial, criado em 2002, e dar posse à nova diretoria.
Em 2003, o Brasil exportou US$ 1,5 bilhão para a Rússia e importou US$ 555 milhões. Os principais produtos vendidos pelo Brasil foram açúcar, carnes suína, bovina e de frango, fumo e café.
Cotas serão debatidas
A Rússia compra do exterior, anualmente, cerca de US$ 20 bilhões em alimentos, o que mostra um grande potencial ainda a ser explorado pelos produtores brasileiros. Neste sentido, estarão em discussão na Subcomissão coordenada pelo MDIC os sistemas de cotas tarifárias adotados pela Rússia para a importação de açúcar e de carnes.
O caso das cotas para a carne já está sendo discutido há algum tempo e foi objeto de uma visita do secretário Marcio Fortes de Almeida a Moscou no começo deste mês. O assunto será retomado e o objetivo é aumentar a parcela destinada ao Brasil no mercado de carnes russo.
Já o Brasil compra da Rússia principalmente produtos químicos e fertilizantes. Por este motivo, a delegação pretende conversar com o governo brasileiro sobre a revisão do processo de direito anti-dumping que limita as importações de nitrato de amônia e de ferro-cromo provenientes da Rússia. A revisão também está sendo solicitada pela Associação dos Misturadores de Adubo (AMA).
A decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), tomada no ano passado, de não mais considerar a Rússia como uma economia planificada, facilita a revisão de todos os processos anti-dumping que existem contra aquele país. Isso porque, como uma economia planificada, o cálculo dos preços praticados pelos russos era feito de maneira diferente do cálculo adotado para as economias de mercado.
Software brasileiro
Na área de promoção comercial, o Brasil pretende apresentar aos russos as inovações do setor de software. A delegação receberá informações sobre automação bancária, governo eletrônico e softwares eleitorais. Por sua vez, os russos vão apresentar produtos que podem ser vendidos ao Brasil em maior volume, como automóveis especiais e máquinas e implementos agrícolas.
Com a abertura da economia russa, o sistema bancário do país passou por várias modificações, que serão apresentadas por um dos membros da delegação russa. A melhoria do sistema de transporte e logística das vendas entre os dois países e a definição de novos prazos para as negociações relativas ao acordo de bitributação entre Brasil e Rússia completam a agenda da Subcomissão de Cooperação Econômica e Comercial.

