Dubai – Os encontros entre empresas brasileiras e árabes do setor de alimentos, promovidos pela Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (Apex) hoje (22), em Dubai, renderam negócios. A New Max, por exemplo, fabricante de leite em pó à base de soja, vai embarcar 60 caixas do produto para a Arábia Saudita. No total, são 1.440 latas de leite de sabores variados, como natural, morango, chocolate e baunilha.
Essa vai ser a primeira exportação da empresa para o mercado árabe. “Foi um pedido piloto para testar o produto no mercado saudita”, afirmou o responsável pelo departamento de vendas internacionais da empresa, Eril Mineli. De acordo com ele, foram realizados mais de 2o contatos no evento Sabores do Brasil, que reuniu 39 empresas brasileiras com mais de 300 árabes.
A maioria das fabricantes disse ter feito contatos positivos e promissores no evento, sendo que muitas receberam pedidos de amostras de diversos importadores do mercado árabe. O grupo saudita Thamer, por exemplo, que só importava carnes e café do Brasil, fez pedidos para seis empresas, de café, panetone, biscoitos, massa para bolo, carne e suco de uva. “Os organizadores do evento estão de parabéns. Fiz muitos contatos positivos”, afirmou o presidente do grupo, Jalal Thamer.
Outro importador que veio conhecer os produtos brasileiros foi o gerente de vendas Mohamed Hassan, do grupo Maza, do Barhein. “Em Dubai, os produtos brasileiros já são mais conhecidos, diferentemente do Barhein, onde as pessoas só conhecem o frango”, disse ele, que já importa frango e açúcar do Brasil. Um dos maiores interesses do grupo no evento foram as linhas de biscoitos e leite.
A Maza, que atua no mercado do Barhein há 90 anos, é uma das empresas líderes de importação e distribuição de alimentos. Além do Brasil, o grupo importa da Inglaterra, Argentina, Estados Unidos, entre outros.
Uma das empresas brasileiras que ficaram muito satisfeitas com os contatos realizados foi a Vinícola Aurora, fabricante de vinhos e suco de uvas. De acordo com a gerente de exportação da companhia, Rosana Pasini, o suco de uva da empresa foi servido ontem (21) no jantar da Apex para 250 convidados dos países árabes e foi um sucesso. Nas três primeiras horas da rodada de negócio, Rosana já havia falado com 17 importadores interessados no suco. “Somos a única vinícola com certificado halal e com o único suco de uva com selo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)”, disse ela.
A Aurora, que tem 30% do mercado brasileiro de suco de uva integral, ainda não exporta para o mercado árabe e acredita que há um forte potencial para seus produtos. “Todos os sucos aqui da região são concentrados e embalados em TetraPak, diferente do nosso que é engarrafado, não tem açúcar nem água e nem corante”, acrescentou.
Mesmo com muitos elogios por parte dos importadores árabes, que durante o evento puderam degustar balas, biscoitos, carnes, café, doces, entre outros produtos brasileiros, tiveram aqueles que ainda se preocupam com a falta de preparo e agressividade das empresas brasileiras no mercado externo. O importador Alayed Mohammed, da trading saudita Namag United Trading, afirmou que já compra do Brasil há mais de 15 anos, mas ainda sente dificuldade na hora de negociar com os brasileiros.
Mohammed citou, por exemplo, a falta das embalagens traduzidas para o árabe; o despreparo dos exportadores para falar outro idioma além do português; a pouca divulgação dos produtos no mercado árabe; e a questão de contratos de exclusividade com os distribuidores. “Temos potencial de importar muito mais do Brasil, mas sentimos algumas dificuldades”, disse.

