São Paulo – A safra de grãos 2007/2008 do Brasil, com 143,87 milhões de toneladas colhidas, um crescimento de 9,2% sobre a temporada anterior, confirma a tendência do aumento das exportações do agronegócio. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima exportações de 52,17 milhões de toneladas de milho, soja, algodão e feijão até o final do ano. Além disso, analistas afirmam que o país deverá continuar batendo recordes de produção.
“A safra brasileira vai manter essa tendência de bater recordes. Analisando os últimos anos, a área plantada cresce menos que a produção”, afirmou o economista da Sociedade Rural Brasileira (SRB), André Diz, que apontou que a agricultura brasileira está ganhando tecnologia, o que reflete no aumento de produção sem precisar expandir a área de cultivo.
Segundo dados da Conab, a colheita do milho alcançou 58,59 milhões de toneladas, um aumento de 14% em relação à safra passada. A soja teve um crescimento de 2,8%, percentual que equivale a 1,66 milhão de toneladas.
Já o trigo, com 3,82 milhões de toneladas colhidas, teve um aumento de 71,2%. Segundo Diz, essas commodities apresentaram preços internacionais muito fortes, o que acaba despertando o interesse do produtor em dedicar mais área para plantação desses grãos. “Com certeza o Brasil pode aumentar suas exportações de grãos”, afirmou.
De acordo com o gerente de avaliação de safras da Conab, Eledon Pereira, a previsão de exportação da entidade para este ano é de 25,8 milhões de toneladas de soja em grão; 13,2 milhões de toneladas de farelo de soja; 10 milhões de toneladas de milho; 1,12 milhão de toneladas de óleo de soja; e 520 mil toneladas de algodão em pluma.
“A Conab já vinha divulgado esse aumento de produção desde o começo do ano, agora só confirmamos a nossa previsão de exportação”, disse.
Atualmente, o cultivo de soja, milho e arroz representa 90% da produção de grãos brasileira. “O complexo soja é o carro-chefe das exportações”, afirmou o técnico da gerência de mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Marcos Matos. Segundo ele, a valorização das commodities no cenário internacional também refletiu em uma safra recorde.
No entanto, Matos diz que, apesar do crescimento e das boas condições da produção brasileira, o país enfrenta problemas de logística para embarcar ao exterior. “O Brasil tem todas as oportunidades de se consolidar como o maior exportador, mas temos que olhar lá para frente”, disse o técnico, que apontou diversos pontos críticos internos, como filas nos portos, más condições das rodovias, custo elevado da produção e uma carga tributaria alta.
De janeiro a julho, as exportações de milho, soja, feijão e algodão já renderam US$ 13,29 bilhões. Os principais compradores do Brasil são China e Índia. A balança do agronegócio, nesse mesmo período, contabilizou US$ 40,11 bilhões em exportações.

