Isaura Daniel
São Paulo – A safra recorde de cana que o Brasil deve colher neste ano abre perspectivas para o aumento das exportações nacionais de açúcar. De acordo com estimativa divulgada nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), serão produzidas 469,8 milhões de cana-de-açúcar no país, um recorde histórico, 8,9% maior do que as 431,4 milhões de toneladas colhidas na última safra. O bom desempenho nas lavouras é o que vai sustentar o aumento das exportações, que deve alcançar 17%.
A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) prevê vendas externas de 19,4 milhões na safra 2006/2007, cuja colheita começou em abril e deve seguir até novembro. Na safra anterior foram exportadas 16,6 milhões de toneladas. "A produção maior de cana vai resultar na maior produção de álcool e açúcar e maior disponibilidade para exportação", diz o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e professor da Universidade Federal do Paraná, Eugênio Stefanelo.
A exportação de álcool não deve aumentar. A Unica prevê vendas externas de 2,3 bilhões de litros de álcool nesta safra, contra 2,4 bilhões na última colheita. Há uma grande demanda por álcool no mercado interno brasileiro. Já as vendas externas do açúcar são impulsionadas pelo aumento da demanda mundial. "A Europa está diminuindo as suas exportações de açúcar", diz o presidente do comitê de Agroenergia da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e conselheiro da Unica, Maurílio Biagi Filho.
A União Européia reformou o seu programa de subsídio à produção de açúcar de acordo com exigências da Organização Mundial do Comércio (OMC). O bloco está destinando à produção principalmente ao seu mercado interno. A União Européia ainda é, segundo Stefanelo, o principal comprador de açúcar do Brasil no exterior, mas o país está seguindo, no setor, a política que vem adotando em quase todos os segmentos exportadores, de diversificar os destinos das exportações.
"O Brasil adotou uma política extremamente correta de diversificar mercados do ano 2000 para cá. As exportações estão em franca expansão para a Ásia, África, Oriente Médio e América Latina", diz Stefanelo. O país é o maior exportador mundial de açúcar e o seu custo de produção, no setor, é muito menor do que outras regiões produtoras como Estados Unidos e Europa. Entre janeiro e abril deste ano, o Brasil exportou 4,1 milhões de toneladas de açúcar. Por enquanto, porém, há queda nas vendas em relação ao mesmo período de 2005, quando foram exportadas 5 milhões de toneladas de açúcar.
Novas usinas
De acordo com Biagi, há no Brasil cerca de 80 projetos de usinas e destilarias que devem entrar em funcionamento até o ano de 2012. Eles consumirão investimentos de US$ 30 bilhões. Segundo o presidente do Comitê de Agroenergia da SRB, o Brasil vai colher quatro milhões de toneladas de cana adicionais por mês até o ano de 2012. "Batemos recorde no ano retrasado e no ano passado e vamos bater neste ano. Temos que bater recorde todo ano porque senão vamos ter problemas de abastecimento interno", diz Biagi.
As novas usinas devem garantir mais exportação também. O Brasil cresceu expressivamente no mercado mundial de açúcar nos últimos anos. No início da década de 90, o país exportava um milhão de toneladas de açúcar por safra, segundo o conselheiro da Unica. Os árabes são grandes compradores de açúcar do Brasil.
Entre janeiro e abril deste ano, dos US$ 1,6 bilhão exportados pelo país aos 22 países da Liga Árabe, US$ 358,2 milhões corresponderam a açúcar. Árabes e brasileiros têm até projetos conjuntos no setor. A brasileira Cristalsev e a Cargill África têm projeto de uma refinaria de açúcar em parceria com três empresas sírias, a Assaf Invest, a Sugar Invest e a Sugar Mezzanine, no país árabe.

