São Paulo – A saída de investidores estrangeiros da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) não deve chegar a afetar o câmbio. Analistas de mercado acreditam que movimento de vendas de ações por parte de estrangeiros continuará nos próximos meses, mas não haverá, por isso, valorização do dólar, o que poderia beneficiar os exportadores.
“A saída de capital estrangeiro na bolsa tem uma importância marginal no câmbio e não determinante”, explica o analista da Socopa Corretora, Oscar Camilo, lembrando que outros fatores compensam o efeito na balança de pagamentos, como investimento estrangeiro direto, em renda fixa ou tomada de dinheiro por parte de empresas brasileiras no exterior. O analista lembra que a maior parte dos investidores estrangeiros no Brasil aplica em renda fixa.
O gerente de câmbio da corretora TOV, Alexandre Milanov, lembra, inclusive, que o câmbio teve apenas pequenas oscilações nos últimos dias, apesar do movimento de realizações (vendas) na bolsa. “A saída de capital estrangeiro da bolsa não deve mexer no câmbio”, afirma Milanov. O dólar comercial encerrou a quarta-feira (23) com valorização de 0,12% cotado a R$ 1,673 na compra e a R$ 1,675 na venda.
O movimento de saída de estrangeiros da BM&FBovespa começou no final do ano passado e seguiu em fevereiro, com algum recuo na última semana. No começo desta semana, havia um saldo negativo de R$ 1,8 bilhão para o investidor estrangeiro não residente, na bolsa, em fevereiro, resultado da entrada de R$ 30,4 bilhões e saída de R$ 32,2 bilhões. No acumulado do ano, o saldo negativo estava em R$ 1,4 bilhão.
Os investidores estrangeiros, segundo Camilo, estão invertendo sua dinâmica, saindo dos mercados emergentes e retornando aos países desenvolvidos. “Os emergentes saíram bem da crise e agora precisam fazer ajuste fiscal para conter a inflação. Muitos estímulos adotados no pós-crise aqueceram demais a economia, com a possibilidade de geração de inflação”, afirma. Já os emergentes fizeram grandes esforços na parte fiscal durante a crise e agora estão se recuperando aos poucos.

