Brasília – O Brasil registrou em julho déficit de US$ 6,018 bilhões em transações correntes, valor menor do que os US$ 8,969 bilhões do mesmo mês do ano passado, mas superior aos US$ 3,647 bilhões de junho de 2014. De janeiro a julho, o saldo negativo ficou em US$ 49,33 bilhões, contra US$ 52,15 bilhões no mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Banco Central (BC).
O saldo positivo da balança comercial ajudou a reduzir o déficit nas transações correntes em julho. O superávit comercial chegou a US$ 1,574 bilhão no mês passado, reduzindo o déficit comercial no acumulado dos sete meses do ano para US$ 918 milhões. “Grande parte disso se deve às exportações. Petróleo, soja, minério de ferro têm sido relevantes neste quadro da balança comercial. [A balança comercial] foi preponderante nesta evolução das contas externas em julho”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.
As despesas de brasileiros em viagens ao exterior, no entanto, chegaram a US$ 2,415 bilhões em julho, o maior resultado já registrado na série histórica mensal, iniciada em 1995. Nos sete meses do ano, os gastos no exterior alcançaram US$ 14,9 bilhões, contra US$ 14,403 bilhões em igual período de 2013. Em julho do ano passado, as despesas totalizaram US$ 2,194 bilhões.
Houve aumento deste indicador mesmo com a realização da Copa do Mundo no Brasil de 12 de junho a 13 de julho. Maciel argumentou, porém, que essas despesas já chegaram a apresentar crescimento acima de 20% na comparação anual e agora o crescimento está em 3,5%. “Houve acomodação em viagem internacional”, disse. Ele lembrou que o efeito da cotação do dólar é “fundamental” para as decisões dos brasileiros gastarem no exterior.
As receitas de estrangeiros no Brasil chegaram a US$ 789 milhões em julho, contra US$ 540 milhões em igual mês do ano passado. De janeiro a julho, as receitas chegaram a US$ 4,436 bilhões, contra US$ 4,02 bilhões nos sete primeiros meses de 2013.
Com esses resultados, a conta das viagens internacionais ficou negativa em US$ 1,625 bilhão no mês passado, contra US$ 1,654 bilhão em julho de 2013. Esses dados fazem parte da conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros), que apresentou déficit de US$ 4,546 bilhões, em julho, e de US$ 27,135 bilhões em sete meses.
Maciel, contudo, ainda espera algum efeito da Copa nas contas externas, porque parte das despesas dos estrangeiros no Brasil foi feita em cartão de crédito, com pagamento da fatura este mês. Mais US$ 150 milhões devem vir das receitas com transporte aéreo. No total, realização do mundial deve gerar receitas extras de US$ 950 milhões.
Na conta de rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários), houve déficit de US$ 3,215 bilhões no mês passado, contra US$ 3,294 bilhões em julho de 2013. Em sete meses, o saldo ficou negativo em US$ 22,153 bilhões, ante US$ 23,073 bilhões de janeiro a julho do ano passado.
O ingresso líquido de transferências unilaterais correntes (doações e remessas de dólares que o País faz para o exterior ou recebe de outros países, sem contrapartida de serviços ou bens) chegou a US$ 170 milhões no mês e a US$ 877 milhões de janeiro a julho, ante US$ 276 milhões e US$ 2,818 bilhões, em iguais períodos de 2013, respectivamente.


