Alexandre Rocha
São Paulo – A Samarco, mineradora e indústria brasileira que pertence à Companhia Vale do Rio Doce e à multinacional BHP Billiton, fechou na semana passada um contrato com a Qatar Steel Company (Qasco), siderúrgica estatal do Catar, para o fornecimento de 1,7 milhão de toneladas de pelotas de ferro até 2010.
"Vamos começar com um fornecimento pequeno, de cerca de 140 mil toneladas por ano, mas que vai crescer quando a Qasco colocar em operação um novo forno. Esperamos chegar a suprir quase 20% das necessidades deles", disse à ANBA o diretor-gerente da Samarco em Amsterdã, Ailton Andreo, que é responsável pelos mercados do Oriente Médio e da África. Os embarques vão começar no próximo ano.
Em números de hoje, o valor do contrato é de aproximadamente US$ 80 milhões. Mas, de acordo com executivo, o total pode variar de acordo com a flutuação do preço do produto no mercado internacional.
A Qasco produz anualmente 700 mil toneladas de "ferro esponja", um semimanufaturado que é utilizado na fabricação do aço, mas pretende aumentar sua capacidade para 1,5 milhão de toneladas por ano. "Eles vão expandir sua capacidade para produzir aço e, por isso, precisam aumentar a produção de ferro esponja", afirmou Andreo.
O "ferro esponja", ou DRI no jargão do setor, é resultado de um processo conhecido como "redução direta", que utiliza como combustível o gás, produto disponível em larga escala nos países do Golfo Arábico. Existe um outro processo de produção de aço que usa alto-fornos, alimentados por carvão, e que é utilizado por grandes companhias brasileiras como a Belgo e a Açominas.
Embora o contrato tenha um prazo de duração de seis anos, Andreo, que participou da cerimônia de assinatura em Doha, no dia 25, ao lado do gerente-geral da Qasco, Nasser bin Hamad Al-Thani, disse que espera que "ele dure para sempre". "Os clientes da Samarco são de longo prazo. Não vendemos uma única vez, estabelecemos um relacionamento para o futuro", afirmou.
A Samarco já havia feita "exportações teste" para o Catar na segunda metade da década de 1980, mas na época, principalmente por causa dos custos do transporte, o negócio não vingou. Os contatos foram retomados no ano passado. "Um dos principais fatores (para a assinatura do contrato) foi a evolução da qualidade do produto. A Samarco é altamente competitiva", afirmou. "Além disso, do ponto de vista estratégico, eles precisavam diversificar seus fornecedores", acrescentou.
Andreo disse também que o valor do frete marítimo entre o Brasil e a região do Golfo diminuiu nos últimos tempos por causa da entrada em operação de navios com maior capacidade de carga.
Países árabes
De longo prazo é o relacionamento que a Samarco tem com os países árabes, vem desde o início dos anos 80. A companhia exporta para a região, de acordo com Andreo, 22% de sua produção, para países como Egito, Líbia, Arábia Saudita, Bahrein e agora o Catar.
No final do ano passado, a companhia fechou um contrato de US$ 125 milhões para fornecer para a estatal líbia, Libyan Iron & Steel Co., durante cinco anos. Na região, o maior cliente é o Egito. "O mercado árabe é sólido, representado por empresas sérias", disse Andreo.
Para o futuro próximo, ele prevê um aumento da demanda local por pelotas e minério de ferro. "Serão anunciados projetos na Arábia Saudita, no Egito e nos Emirados Árabes Unidos. Estes países têm dinheiro e precisam investir em infra-estrutura, o que vai fazer aumentar o consumo de aço", declarou.
Produção
A Samarco, que começou a operar em 1976, atua como mineradora e produtora de pelotas de ferro. Ela extrai a maior parte de sua matéria-prima de uma mina localizada na região de Mariana, em Minas Gerais. Cerca de 16 milhões de toneladas de minério de ferro, misturado com água, são bombeadas por ano por um "mineroduto" de 396 quilômetros que liga a cidade mineira ao município de Anchieta, no Espírito santo, onde a companhia tem uma unidade de pelotização e o porto de Ponta Ubu.
A Samarco exporta 100% de sua produção anual de 13,8 milhões de toneladas de pelotas de ferro e 1,5 milhão de toneladas de "finos", ou concentrado de minério de ferro. A companhia, que emprega 1.286 pessoas e faturou US$ 500 milhões em 2003, vende para mais de 15 países, sendo que seu principal mercado hoje é a Ásia, especialmente a China.
Já a Qasco iniciou suas operações em 1979. Hoje ela emprega 1.250 pessoas de 12 nacionalidades diferentes e produz cerca de 1,2 milhão de toneladas de aço derretido por ano.
Segundo informações do jornal árabe Gulf Today, na ocasião da assinatura do contrato com a Samarco, o gerente-geral da empresa, Nasser Al-Thani, disse que a demanda por aço no Catar é de 200 mil toneladas por ano, muito menor do que a produção da empresa. O excedente, de acordo com ele, é exportado para os demais países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), união aduaneira que reúne Catar, Arábia Saudita, Emirados, Omã, Bahrein e Kuwait.
A empresa, de acordo com o Gulf Today, adquiriu recentemente uma nova fábrica em Dubai, nos Emirados, que tem capacidade para produzir 150 mil toneladas de "ferro esponja" por ano. Atualmente ela toca três projetos de ampliação de sua infra-estrutura para dobrar a capacidade de produção.
Contato
Samarco
Em Amsterdã
Tel: +31 (20) 571-2400
www.samarco.com.br

