Alexandre Rocha
São Paulo – A Samarco, mineradora e indústria brasileira, acredita que vai ocorrer uma expansão do setor siderúrgico dos países árabes nos próximos anos. Conseqüentemente, haverá um aumento na demanda pela mercadoria que ela vende, que são pelotas de ferro, matéria-prima para a produção de aço.
"Hoje existem vários projetos na região em diferentes fases de execução e nós estamos avaliando. Afinal, são empreendimentos que dependem de pelotas", disse à ANBA o diretor comercial da empresa, Roberto Carvalho. "A indústria terá um crescimento expressivo lá", acrescentou.
A companhia está de olho nos projetos de expansão de seus próprios clientes na região, como a saudita Hadeed e a Qatar Steel Company (Qasco). Além do Catar e da Arábia Saudita, a Samarco vende para o Egito, Líbia e Bahrein. Os embarques para estes países representam 22% das vendas totais da empresa, algo em tono de 3,2 milhões de toneladas de pelotas por ano.
Quando se fala em pelotas destinadas ao processo de "redução direta", que respondem por metade da produção da Samarco, os países árabes são os principais clientes. Esta técnica utiliza o gás natural, abundante na região, como "redutor" no processo de fabricação do aço. No caso do Brasil, por exemplo, são mais utilizados os alto-fornos, que usam carvão.
Além dos planos de expansão de seus próprios clientes, segundo informou uma outra fonte da empresa, a Samarco acompanha com atenção também o projeto de construção de uma nova usina siderúrgica da Shadeed, de Omã. A planta, orçada em US$ 700 milhões, deverá ficar pronta em 2008.
Plano de investimento
Por causa das perspectivas de aquecimento do mercado externo, a companhia, que exporta 100% de sua produção, terá que investir ela própria, já que sua capacidade está no limite. De acordo com o plano de expansão, que será analisado pelos acionistas ainda este semestre, a empresa pretende aumentar sua capacidade de produção em 50%, das atuais 14 milhões de toneladas por ano, para 21 milhões de toneladas.
"Este plano está em linha com os investimentos de nossos clientes no Oriente Médio", declarou Ramalho. Ele espera que o mercado árabe continue a responder por 22% das vendas da empresa, mesmo com a ampliação da produção. Ou seja, quer que a região passe a importar mais em termos absolutos.
Para atingir tal desempenho, a companhia pretende construir mais uma usina de beneficiamento de minério de ferro em Mariana (MG), onde está localizada sua mina; um novo "minerioduto" entre a cidade mineira até a região do porto de Ponta Ubu, no Espírito Santo; e mais uma fábrica de pelotas próxima ao terminal marítimo.
As últimas previsões feitas indicavam um investimento necessário de US$ 750 milhões. O prazo previsto para as obras é de 30 meses, após a aprovação do projeto pelos acionistas, que são a Companhia Vale do Rio Doce e a multinacional BHP Billiton.
No ano passado, a Samarco comercializou 14,1 milhões de toneladas, ou 2,8% a mais do que em 2003. O faturamento da empresa ficou em R$ 1,9 bilhão e o lucro líquido em R$ 689 milhões. No primeiro semestre deste ano, as vendas somaram 7 milhões de toneladas e o faturamento foi de R$ 1,1 bilhão, ou 24% a mais do que no mesmo período de 2004.

