Alexandre Rocha
São Paulo – A Samarco, mineradora e indústria brasileira, anunciou seu novo plano de investimentos batizado de Projeto Terceira Pelotização, que envolve o aporte de US$ 1,183 bilhão para aumentar a capacidade de produção em 54%. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (20) em Londres pelo conselho de administração da empresa, que é controlada pela Companhia Vale do Rio Doce e pela multinacional BHP Billinton. A intenção da empresa de ampliar sua produção foi noticiada pela ANBA em agosto.
Segundo informações divulgadas pela Samarco, o plano prevê a construção de uma usina de concentração de minério de ferro em Germano, no município de Mariana, em Minas Gerais; um novo minerioduto de 400 quilômetros entre a cidade mineira e Ubu, no Espírito Santo; e uma fábrica para a produção de pelotas de ferro, sua terceira, em Ubu, onde a companhia já tem um terminal marítimo.
A empresa vai também comprar equipamentos e ampliar instalações nas áreas de mineração, estocagem e embarque das mercadorias. De acordo com a companhia, os empreendimentos serão iniciados imediatamente e devem estar concluídos em fevereiro de 2008. "A Samarco consolidará a posição de segunda maior fornecedora transoceânica de minério de ferro", diz nota divulgada pela empresa.
Com os empreendimentos, a Samarco espera aumentar sua produção das atuais 14 milhões de toneladas anuais para 21,6 milhões de toneladas. Isso, segundo disse à ANBA em agosto o diretor comercial da companhia, Roberto Carvalho, para atender ao aumento da demanda do mercado externo. A empresa já exporta 100% de sua produção, que está no limite.
Clientes árabes
Neste cenário, os países árabes têm um papel importante, já que são os principais compradores das pelotas destinadas ao processo de "redução direta", técnica que utiliza o gás natural como "redutor" no processo de fabricação do aço. No total, o mercado da região consome 22% das exportações da companhia.
A Samarco está de olho na expansão da siderurgia nos países árabes, tanto em novos projetos, como no aumento da demanda de seus próprios clientes, como a saudita Hadeed e a Qatar Steel Company.
Em 2004, a empresa vendeu 14,1 milhões de toneladas de pelotas de ferro, ou 2,8% a mais do que em 2003, e teve um faturamento de R$ 1,9 bilhão. No primeiro semestre de 2005, as vendas chegaram a 7 milhões de toneladas e o faturamento a R$ 1,1 bilhão, com crescimento de 24% sobre o mesmo período do ano passado.

