Isaura Daniel
São Paulo – A Sanremo, fabricante brasileira de produtos plásticos, e a Elegê, indústria de refrigeradores, congeladores e bebedouros, foram convidadas para formar uma joint-venture com um grupo da Síria. Os empresários árabes interessados no negócio trabalham com criação de frango, varejo e distribuição de artigos plásticos no país e querem fabricar localmente as duas marcas brasileiras.
Representantes da Sanremo e da Elegê devem viajar à região dentro de 20 dias, acompanhados dos sócios da Global Guiders, trading do Rio de Janeiro que está intermediando as conversas, para continuar a negociação.
A proposta do grupo sírio, cujo nome ainda é mantido em sigilo, é que as companhias brasileiras forneçam máquinas e matéria-prima. A estrutura física, a comercialização e o marketing ficariam por conta dos empresários sírios.
A companhia, de médio porte, já está construindo um prédio num terreno de sete mil metros quadrados, em Damasco, onde poderá funcionar uma das fábricas. Hoje o grupo importa e distribui no país produtos plásticos dos Emirados Árabes Unidos e também mantém empresas na Rússia.
A proposta de parceria surgiu durante a participação da Global Guiders na 51ª Feira Internacional de Damasco, que ocorreu entre os dias 3 e 12 deste mês. A trading representa a Sanremo e a Elegê na região e participou da mostra em um estande montado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), ao lado de outras empresas brasileiras.
De acordo com um dos sócios da Global Guiders, Crebil Ferman, o negócio não estava nos planos. A viagem foi feita apenas com intenção de comercializar os produtos das duas companhias, além de madeiras produzidas no Mato Grosso e café da marca Tiradentes, na Síria. "Eles (sírios) nos procuraram no estande", conta Ferman.
O empresário acredita que as negociações ainda levarão entre 60 e 90 dias para serem finalizadas. Já ficaram acertadas, porém, importações mensais de US$ 45 mil de produtos das duas marcas para testar o mercado local, enquanto seguem as conversas sobre a joint-venture.
As empresas
A Global Guiders é uma trading de pequeno porte voltada para o comércio com os países árabes. Ela foi criada há cerca de três anos, fatura perto de US$ 45 mil mensais e, por enquanto, trabalha apenas com a Líbia. No próximo ano, porém, a companhia vai investir cerca de US$ 100 mil na participação de feiras em países árabes. Além de Ferman, a Global Guiders tem outros dois sócios: Giani Pandofi e o sírio Ali Safatli.
A Sanremo tem sede em Esteio, no Rio Grande do Sul, e faz parte do grupo Bettanin. A empresa fabrica cerca de 150 itens plásticos de utilidade doméstica, entre potes, jarras, lixeiras, pás, pratos de jardinagem, canecas, cestos e regadores. Ela está no mercado há mais de 30 anos e mantém cerca de 500 funcionários diretos.
Além da Sanremo, o Bettanin possui fábrica de utensílios de limpeza com a marca Bettanin, de pincéis Atlas, acessórios de parede Primafer, estantes Ordene e a empresa de reflorestamento Vale Verde.
A Elegê tem sede no Rio de Janeiro e mais de 50 anos de mercado. A empresa trabalha com tecnologia de ponta em refrigeração comercial.
Café e madeira
Além da intermediação das conversas para a formação da joint-venture, a Global Guiders fechou outros negócios na feira de Damasco, como o acerto de envios bimestrais de 200 toneladas de café da marca Tiradentes a um distribuidor sírio.
De acordo com Ferman, muitos importadores iraquianos manifestaram interesse de comprar eucalipto brasileiro. A Global Guiders trabalha com compra e venda de madeiras.
"A feira foi muito boa para nós. Desde que voltamos, estamos recebendo entre cinco e oito ligações por dia de contatos feitos lá", diz o empresário.
Contato:
Global Guiders
+ 55 (21) 2262 6036

