Agência Sebrae
Brasília – Tudo começou há 112 anos, quando a família alemã Dierberger passou a produzir flores para vendê-las junto com frutas num empório que possuía na cidade de São Paulo. De lá para cá, o estado de São Paulo se transformou não só no maior produtor nacional como também no maior consumidor e exportador de flores e plantas ornamentais do Brasil. As conquistas foram impulsionadas pela floricultura de Holambra, o maior produtor do país.
A produção de São Paulo está concentrada em 20 municípios, reunidos em seis pólos produtores. O pólo de Holambra concentra a produção de quatro cidades, o pólo de Atibaia de outras quatro, o de Campinas reúne cinco municípios, o de Dutra três, o de Paranapanema um e o do Vale do Ribeira congrega outros três. Juntos, esses pólos são responsáveis por cerca de 60% da produção do país.
São Paulo consome quase tudo o que produz. O estado responde por 40% do consumo nacional, sendo que só a capital paulista absorve 25%. O que não consome, São Paulo exporta. No Brasil, o Paraná é o maior importador dos produtos florícolas de São Paulo, consumindo 95% da produção paulista. Já no mercado internacional, os Estados Unidos são os maiores compradores.
Em 2004, segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), os produtores paulistas venderam para o mercado norte-americano US$ 830 mil em plantas ornamentais, o equivalente a 72% das exportações brasileiras dessas espécies. E só no primeiro semestre de 2005, São Paulo exportou para aquele país US$ 934 mil em flores frescas de corte, o que corresponde a 51% dessas exportações.
De toda a produção nacional de flores de corte vendidas naquele período para o mercado internacional, São Paulo respondeu por 67,8% das exportações. As orquídeas produzidas no estado também fazem grande sucesso no exterior. No primeiro trimestre deste ano, o Brasil exportou mais de US$ 45 mil em mudas de orquídeas, um crescimento de 102,37% em relação ao mesmo período de 2004. São Paulo vendeu cerca de US$ 20 mil, o equivalente a 43% do total de orquídeas exportadas.
A produção florícola paulista envolve cinco mil produtores. Para comercializar as flores e plantas ornamentais, São Paulo conta uma gigantesca e bem organizada rede de produtores, comerciantes e profissionais de floricultura. Em todo o estado existem quatro mil lojistas, a maioria concentrada no interior. Mas os principais mercados atacadistas estão localizados na capital.
Muitos negócios, porém, são fechados a partir de Holambra por meio de leilões eletrônicos via internet, únicos no país. Pelo sistema eletrônico, os produtores cadastrados divulgam informações sobre quantidade, qualidade, preço e prazo de entrega. Os clientes, por sua vez, têm mais opções de negócios. Esse comércio virtual tem ligação direta com a Holanda, principal centro formador de preços do mercado mundial de flores. Assim, os floricultores paulistas podem vender suas flores e plantas sem sair de casa. Conquista merecida para um estado que curiosamente, há 112 anos, entrou no comércio de flores pela porta de uma frutaria.
Capital das flores
A pequena estação turística de Holambra é um gigante no mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais. Emancipado há dez anos e só com 10 mil habitantes, o município é responsável por pelo menos 40% de toda a produção florícola nacional. Por isso, é conhecida como a Capital Brasileira das Flores.
O agronegócio de flores de Holambra começou em 1948, quando as primeiras famílias de imigrantes holandeses chegaram a São Paulo e passaram a criar gado na área onde hoje está o município. Como o gado holandês não se adaptou ao clima, eles decidiram investir em outra tradição holandesa: as flores. O negócio deu certo. Hoje, Holambra produz e vende flores para o Brasil e para o mundo.
Uma das razões do sucesso da floricultura do município é a organização da cadeia produtiva. A Cooperativa Agropecuária de Holambra, por exemplo, já conta com 279 empresas associadas, inclusive de outros estados, que respondem por 60% da produção nacional de flores. Para fortalecer a comercialização, foi criada a Veiling-Holambra, única no país com sistema eletrônico de leilões de flores e plantas.

