Isaura Daniel
São Paulo – O setor de franquias é um dos mais promissores para as relações comerciais entre brasileiros e árabes. A afirmação foi feita ontem (29) pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., durante o seminário "Os Caminhos da Internacionalização de Franquias nos Países Árabes", que ocorreu no auditório da entidade. O encontro foi organizado pela Câmara Árabe, Agência de Promoção de Investimentos e Exportações do Brasil (Apex) e Associação Brasileira de Franchising (ABF) como parte de um projeto maior de incentivar a abertura de franquias brasileiras no mercado árabe.
O projeto começou a ser implementado pelas três entidades no final do ano passado e o seminário faz parte de uma primeira etapa, que tem por objetivo preparar os empresários para atuar com franquias nos países árabes. "Os países árabes são excelentes mercados para quem deseja expandir horizontes e internacionalizar sua marca", afirmou Sarkis. O presidente da Câmara Árabe lembrou que há marcas brasileiras que já estão fazendo sucesso nos países árabes. Segundo Sarkis, essas empresas souberam aproveitar as vantagens que o mercado árabe oferece.
"Há um público consumidor de 324 milhões de pessoas nos 22 países da Liga Árabe, com um Produto Interno Bruto (PIB) aproximado de US$ 1 trilhão", disse o presidente da Câmara Árabe. Ele lembrou que a corrente comercial entre o Brasil e os países da Liga Árabe alcançou US$ 10,5 bilhões no ano passado. Os próximos passos do projeto de franquias são trazer um consultor árabe da área para falar com os empresários brasileiros, ainda neste ano, e realizar um evento de promoção das marcas brasileiras na região, em 2007.
O diretor de Cursos e Eventos da ABF, João Baptista da Silva Junior, e o consultor Wagner Lopes de Almeida, da Global Franchise Net, empresa que dá assessoria na área, deram no seminário várias dicas aos empresários presentes no seminário e interessados em abrir franquias no mundo árabe. "Franchising é a clonagem de um sistema virtuoso. Para trabalhar com franchising você tem que ter um negócio de sucesso, tem que ser bom no que você faz. Se você está procurando uma saída para salvar sua empresa, não faça franchising", disse João Baptista.
O sistema de franquia deve gerar lucro, segundo ele, para franqueador e franqueado. Os consultores afirmam que o franqueado não pode ser visto apenas como um distribuidor, mas como um parceiro que também vai garantir o sucesso da empresa. Almeida recomendou que as empresas não partam para o exterior sem terem antes experiência com o sistema de franquias no mercado brasileiro. "Se você não tem experiência ou tem pouca experiência com franchising no Brasil, é um risco partir para o mercado externo", afirmou.
Antes de partir, prepare a mala
João Baptista lembrou que os franqueadores precisam levar em conta uma série de aspectos antes de partir para a abertura de franquias no exterior, como a maneira como será feito o treinamento no outro país, os valores que serão cobrados pela franquia, a remuneração que o franqueador vai receber. Se o franqueador for receber em royalties, Almeida lembra que é importante saber como é a transferência de royalties do país para o Brasil.
Almeida enumerou os passos que precisam ser dados pela empresa brasileira até a abertura da franquia no mundo árabe. Segundo ele, o primeiro deles é a avaliação da viabilidade, se o negócio tem chance de fazer sucesso naquele mercado. O segundo é a seleção de um país alvo, que pode ser, por exemplo, uma nação que é formadora de opinião na região e que levará as demais a seguí-la.
Depois disso, de acordo com Almeida, é bom fazer um pré-estudo do mercado escolhido. Nessa pesquisa será definido, por exemplo, se é mais apropriada a abertura de loja em galeria, shopping, rua, etc. Também é necessário, a partir daí, preparar a empresa no Brasil para a expansão, já que vai demandar, entre outras medidas, aumento de produção no Brasil e adequação dos manuais do sistema de franquias da empresa ao idioma e às condições do outro mercado. "Se você for vender sanduíche na Líbia, precisa saber se há pão francês na Líbia", exemplifica. Essa preparação, segundo Almeida, leva, no mínimo, doze meses.
Aí então vem a captação de parceiros locais ou franqueados e a seleção deles. Requisitos necessários? Segundo Almeida: integridade, conhecimento de mercado, capacidade de adaptar o conceito da marca brasileira ao seu país, empreendedorismo e alto padrão gerencial. Além, é claro, de afinidade com o franqueador. O representante da Global Franchise Net recomenda que então sejam definidos os planos de negócios que a empresa tem para o país. Os próximos passos são a implantação de uma unidade piloto e expansão.

