Marina Sarruf
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São Paulo – O encarregado de negócios da embaixada da Arábia Saudita em Brasília, Omar Ali Saleh Al-Oyaidi, afirmou ontem (12) que a petrolífera estatal Saudi Arabian Oil Company (Aramco) está à disposição da Petrobras para ajudar no desenvolvimento de sua nova jazida de petróleo e gás natural, descoberta recentemente na Bacia de Santos. A afirmação foi feita durante o Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil e Arábia Saudita, promovido pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCC), no Rio de Janeiro.
As reservas da jazida brasileira estão estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris, que segundo a Petrobrás, permitirão ao país conquistar a oitava ou nona posição no ranking das maiores reservas de petróleo do mundo. Esse volume também é suficiente para que o Brasil aumente a produção em até 50%. Atualmente, as reservas do país são de cerca de 14 bilhões de barris.
A gigante Saudi Aramco produz diariamente cerca de 9 milhões de barris de petróleo e controla as maiores jazidas da commodity do mundo, já que a Arábia Saudita detém 25% das reservas mundiais. A empresa emprega mais de 51 mil pessoas. Só para se ter uma idéia, as reservas sauditas são 260 bilhões de barris.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que participou do evento, Al-Oyaidi disse também que seu país está disposto a facilitar a concessão de vistos para empresários brasileiros. Em seu discurso, Al-Oyaidi falou ainda sobre o crescimento das exportações brasileiras para o país árabe e da importância da Cúpula América do Sul-Países Árabes, realizada em 2005.
Segundo o presidente da FCC, João Augusto de Souza Lima, essa é a primeira vez que a entidade promove um seminário sobre um país árabe. No total já foram realizados 31 seminários. "A Arábia Saudita tem um potencial muito grande", afirmou ele. O objetivo do encontro foi apresentar o mercado saudita e mostrar as oportunidades de investimentos no país aos empresários brasileiros.
De janeiro a outubro, as exportações brasileiras para Arábia Saudita renderam US$ 1,2 bilhão, o que representou um aumento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos embarcados para o país árabe foram: carne de frango, minérios de ferro, açúcar, carne bovina, tratores e aviões. Já as importações brasileiras do país árabe somaram US$ 1,47 bilhão, uma queda de 2,8% em comparação ao mesmo período. Petróleo, gás liquefeito, óleo diesel, alumínio e enxofre foram os principais produtos comprados pelo Brasil da Arábia Saudita.
Na apresentação de Alaby, ele falou também das oportunidades de negócios no país árabe e dos principais mercados que os brasileiros devem buscar no mercado saudita, como móveis e objetos de decoração, autopeças, cosméticos, têxtil, implementos agrícolas e máquinas e equipamentos em geral. Alaby falou ainda sobre a missão ao Golfo Arábico que a Câmara Árabe vai realizar entre os dias 18 e 30 de novembro.
Segundo Alaby, o seminário também abordou os problemas de bitributação do imposto de renda sobre os lucros das empresas que atuam nos dois países. O tributo acaba sendo cobrado pelos dois governos. A solução, de acordo com ele, é a assinatura de um acordo bilateral para eliminar essa cobrança dupla.

