Manaus – O vice-governador do Amazonas, José de Oliveira, propôs, nesta quarta-feira (29), que sejam realizados mais intercâmbios entre estudantes universitários de seu estado e da Arábia Saudita. O convite foi feito durante um encontro de Oliveira com um grupo de estudantes sauditas que visita o Brasil e que está em Manaus.
“Acho que nossas universidades e as da Arábia Saudita podem realizar intercâmbios que serão proveitosos para os dois lados”, destacou Oliveira. “Acho que o estado do Amazonas e a Arábia Saudita podem conversar para o desenvolvimento de projetos de mão dupla”, afirmou o vice-governador. Na reunião, a delegação saudita estava acompanhada de alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Durante o encontro, o meio-ambiente e a participação dos jovens em sua conservação foram os principais temas. “Vocês, que são jovens, têm que ter em mente que nada justifica o desenvolvimento sem o respeito à natureza”, declarou Oliveira.
“Teremos uma importante reunião sobre meio ambiente no Rio de Janeiro e precisamos do apoio da Arábia Saudita”, acrescentou o vice-governador ao chefe da delegação saudita, Yousef Al Saadon, vice-ministro para Assuntos Econômicos e Culturais do Ministério das Relações Exteriores do país árabe, referindo-se à conferência Rio+20, que será realizada em 2012. “O povo que vive na floresta precisa ter uma compensação econômica pelo que é extraído dela”, ressaltou Oliveira.
Saadon disse concordar com uma futura cooperação durante o encontro no Rio de Janeiro e destacou a importância da união entre os jovens para a preservação dos recursos naturais. “O petróleo não vai durar para sempre, mas nossos recursos humanos irão. Os jovens são a nossa maior riqueza”, ressaltou.
Visita à Ufam
Antes do encontro com Oliveira, os estudantes visitaram o campus da Ufam, onde assistiram a uma palestra da vice-coordenadora de pós-graduação em Ciências Ambientais, Andrea Waichman. Ela deu um panorama da Amazônia, sua população, a grande variedade de espécies de animais e de plantas que compõem o bioma, e o histórico tanto da devastação quanto das ações para a preservação da floresta.
Alunos como Abdulrahman Abdulraihm, estudante de arquitetura de 23 anos, contam que esta foi a primeira vez que eles receberam informações mais detalhadas sobre a floresta amazônica. “Nós não conhecíamos o povo brasileiro, nem a natureza do país. Hoje pude entender melhor as pessoas e o meio ambiente aqui”, destacou.
“Eu achava que a Amazônia era só uma grande floresta sem população”, conta Badr Alamri, estudante de medicina de 23 anos. “Agora sei que há instituições e projetos para a preservação da floresta. A Amazônia deve ser considerada uma questão mundial. Grande parte do oxigênio que respiramos vem daqui, e há uma grande quantidade de espécies de animais que precisa ser preservada”, completou.
Após a palestra, os estudantes puderam conhecer o “Projeto Sauim de Coleira”, que cuida de animais atropelados ou maltratados na região. O projeto, que é mantido pela universidade, existe desde 2002 e abriga espécies como macacos, aves e preguiças.

