Isaura Daniel
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São Paulo – A Arábia Saudita vem aumentando as suas compras de café industrializado do Brasil. Dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) indicam que as compras dos sauditas cresceram 316% no primeiro trimestre deste ano sobre o mesmo período de 2007, em volume, e 291,8% em receita. A Arábia Saudita foi o 12º maior mercado do café industrializado do país no período. Os embarques, porém, ainda são pequenos. Foram US$ 47 mil em receitas, correspondentes a duas toneladas.
O diretor executivo da ABIC, Nathan Herszkowicz, que também é presidente executivo do Sindicato das Indústrias de Café do Estado de São Paulo, lembra que este tipo de café ao qual os números se referem é o totalmente industrializado, torrado e moído, embalado e vendido com marca brasileira. “As exportações do café industrializado são recentes, começaram em 2003, com o programa da Apex (Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil), o trabalho do Sindicato e da ABIC”, afirma o executivo.
As indústrias brasileiras começaram a entrar no mercado árabe, segundo ele, com a participação na Gulfood, feira do setor de alimentação que ocorre todos os anos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e é uma referência no mundo árabe. O mercado árabe é um dos focos do programa da Apex de incentivo às exportações do setor, segundo Herszkowicz. “Os países árabes já são grande compradores do café brasileiro em grão”, afirma o diretor. Dessa maneira, o setor de industrializados também espera avançar muito ainda na região.
Herszkowicz afirma que há um bom mercado para o produto torrado e moído no mundo árabe, já que os países árabes, juntamente com a Etiópia, são o berço do café. “Foi muito consumido pelos muçulmanos, era muito tradicional no Oriente, antes mesmo de ir para a Europa e se tornar conhecido no Ocidente”, diz o diretor da ABIC. As perspectivas da entidade são de que as exportações de café industrializado para o mercado árabe cresçam cerca de 30% neste ano, o mesmo aumento que deve ocorrer nas vendas externas em geral.
“As nossas exportações de café industrializado estão dando saltos elevados ano a ano. Em 2008 esperamos crescimento de 30%, o que pode ser superado”, diz Herszkowicz. No ano passado, as vendas externas deste tipo de café ficaram em US$ 26,6 milhões. Entre janeiro e março deste ano, elas chegaram a US$ 9,2 milhões, com 1,7 mil toneladas. O aumento no faturamento, sobre o primeiro trimestre de 2007, foi de 207% e na quantidade 145,6%. Também houve aumento de 25,03% no preço médio para US$ 5,45 o quilo. Os principais destinos do café industrializado brasileiro são Estados Unidos, Itália e Japão.
O Brasil é o maior produtor de café do mundo. No ano passado, o país produziu 33,4 milhões de sacas de café. Para a safra 2008/2009, está prevista a colheita de 44,2 milhões de sacas. São 2,3 milhões de hectares de café plantados, com produtividade média de 19 sacas por hectare. O país é também o maior exportador de café. No ano passado foram 28,1 milhões de sacas, entre todos os tipos de café. O aumento foi de 2,6% sobre as exportações de 2007. O segmento é levado adiante, no Brasil, por 300 mil propriedades rurais, das quais dois terços são de pequeno porte.

