São Paulo – O rei da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdulaziz Al Saud, inaugura hoje (23) a Universidade Rei Abdullah de Ciência e Tecnologia (Kaust, na sigla em inglês), em Thuwal, pequena cidade na costa do Mar Vermelho, 80 quilômetros ao norte de Jeddah, principal pólo econômico do país.
A instituição tem o objetivo ambicioso de pavimentar o caminho dos sauditas rumo a uma sociedade baseada no conhecimento. Segundo informações da agência France Presse (AFP), trata-se provavelmente da primeira universidade dedicada somente a programas de pós-graduação criada totalmente do zero.
Os cursos de mestrado e doutorado são voltados para áreas de matemática aplicada, ciências da computação, biociências, engenharia química, geociências, engenharia elétrica, engenharia ambiental, engenharia de materias e engenharia mecânica.
Na prática, as aulas para 374 alunos de 60 nacionalidades diferentes começaram no dia 05. Foram contratados 71 professores também de origens variadas, inclusive o reitor Choon Fong Shih, que antes dirigiu a Universidade de Cingapura. As aulas são ministradas em inglês.
De acordo com a Associated Press (AP), 817 estudantes, incluindo 15% de sauditas, se matricularam até agora, sendo que para mais da metade deles as aulas só começam no início de 2010. A expectativa é que o número de alunos cresça para 2 mil no período de oito a dez anos.
Não foram poupados recursos para que a instituição fosse criada. A pedra fundamental foi lançada em outubro de 2007. Menos de dois anos depois, o campus de 36 quilômetros quadrados está pronto e equipado com instrumentos de pesquisa de alta tecnologia, incluindo o supercomputador Shaheen (Falcão Peregrino), considerado o mais rápido do Oriente Médio e o 14° mais veloz do mundo.
Para transformar a instituição em um centro de referência mundial, os sauditas ofereceram altos salários para professores de renome e bolsas integrais para os estudantes. A universidade recebeu uma dotação de US$ 10 bilhões para pesquisa. Ela já firmou diversos acordos de cooperação com instituições de ensino de outros países e com empresas multinacionais e locais.
O ministro saudita do Petróleo e Recursos Minerais, Ali Al Naimi, presidente do Conselho Administrativo da Kaust, disse que a instituição inaugura uma nova era de progresso econômico e científico no país. “Ela vai também ampliar a contribuição dos árabes e muçulmanos à civilização”, afirmou ele, segundo o jornal Arab News, de Riad.
Sob determinação do rei, a escola foi criada pela petrolífera estatal Saudi Aramco. O presidente da empresa, Khalid Al Falih, declarou, de acordo com o Arab News, que a Kaust vai transformar o conhecimento na terceira força vital do país, depois do petróleo e da indústria.
Impacto
Ainda segundo o Arab News, a comunidade acadêmica saudita que saber como a instituição vai influenciar outras universidades do país e os estudantes em geral. Muitos professores, de acordo com o jornal, acreditam que outras escolas vão ter que aumentar a qualidade do ensino para que seus alunos sejam aprovados nos cursos de pós-graduação da Kaust.
Um outro paradigma que a universidade promete quebrar é cultural. A Arábia Saudita é o país mais conservador do Oriente Médio, regido por rígidos preceitos religiosos. Há, por exemplo, uma forte segregação entre homens e mulheres, que não devem andar juntos se não forem parentes, além de uma série de limitações aos direitos da mulher, que incluem proibição de dirigir e obrigação de usar abaya, uma espécie de robe negro, e véu na cabeça.
De acordo com agências de notícias internacionais, tais limitações não vão existir dentro da Kaust. Homens e mulheres poderão conviver no campus, as alunas não serão obrigadas a se cobrir e poderão dirigir automóveis.
“Nós escolhemos os melhores do mundo e damos a eles a liberdade para buscar seus interesses científicos”, disse o reitor Choon Fong Shih, segundo a AP. A AFP informa que 15% dos alunos são mulheres.

