Riad – O Brasil e a Arábia saudita deverão assinar nesta segunda-feira (09) acordo para liberar as exportações brasileiras de carne bovina ao país do Oriente Médio, colocando um ponto final em quase três anos de embargo. A expectativa é que o certificado sanitário seja firmado pela ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, que está em visita à nação árabe, e pela Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA), na sigla em inglês.
Após participar do 4º Fórum Empresarial Brasil-Países Árabes, neste domingo (08), em Riad, a ministra confirmou a expectativa de assinatura do documento à reportagem da ANBA. Abreu declarou que o mercado saudita representa exportações anuais de cerca de US$ 150 milhões em carne bovina. Em 2012, último ano em que o Brasil vendeu o produto aos sauditas, os embarques renderam US$ 156 milhões.
Depois de fazer uma apresentação no fórum, a ministra teve uma reunião com o ministro da Agricultura da Arábia Saudita, Abdulrahman Al Fadhli. Além do fim do embargo, eles conversaram sobre cooperação técnica e estratégia de investimentos.
Os sauditas suspenderam as importações de carne do Brasil em 2012, quando o governo brasileiro comunicou que um animal do rebanho do Paraná, morto em 2010, era portador do agente causador da encefalopatia espongiforme bovina, o mal da vaca louca, mas não chegou a desenvolver a doença, o que foi considerado um caso atípico.
De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Fernando Sampaio, que também está em Riad, o primeiro objetivo dos frigoríficos após o fim do embargo é recuperar o volume exportado em 2012, algo em torno de 36 mil toneladas. “Estamos partindo desta base”, declarou.
Ele avaliou, porém, que é possível que as empresas consigam vender por valores maiores do que vendiam há três anos, pois o vácuo deixado pelo produto brasileiro foi em boa parte coberto pela carne australiana, mais cara, inflacionando o mercado.
Além disso, ele destacou que a decisão da Arábia Saudita pode influenciar a reabertura de outros mercados do Golfo que também suspenderam as importações na época: Catar, Kuwait e Bahrein. Segundo o executivo, com estes países, o volume extra de exportações poderá chegar a 40 mil toneladas anuais. “Vamos acionar as embaixadas [do Brasil nestes países] para resolver esta questão, para que eles também voltem a importar”, disse.
Oportunidade
Em sua apresentação no fórum, a ministra deu um panorama do agronegócio no Brasil, setor que responde por 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, e das possibilidades de expansão da atividade, que geram oportunidades para investidores estrangeiros. Ela ressaltou que gostaria que os empresários árabes olhassem para a agropecuária brasileira como opção de investimento e de abastecimento de mercados como o da Arábia Saudita.


