São Paulo – A Arábia Saudita pretende investir US$ 80 bilhões em melhorias na geração e transmissão elétrica na próxima década, segundo informa o site de notícias saudita Saudi Gazette. "Dois terços dos fundos serão custeados pela Saudi Electricity Co.", segundo informou Saleh H. Al-Awaji, vice-ministro de eletricidade do país e diretor interino da estatal elétrica. "Um terço do montante deve vir de investidores privados".
Segundo o executivo, seu país também pretende ampliar a geração elétrica a partir do petróleo. A intenção é utilizar 2,5 milhões de barris de petróleo por ano até 2020, contra 1,5 milhão utilizado no ano passado. "Isso depende da política petrolífera do país, mas nossa intenção é aumentar o uso do petróleo," declarou Al-Awaji.
A Saudi Electricity precisa ampliar sua capacidade em 3 mil megawatts ao ano para suprir um crescimento anual de demanda de 8%, motivada por um plano quinquenal que prevê investimentos estatais de US$ 400 bilhões e também por uma crescente população. A empresa pretende investir US$ 54,7 bilhões em ampliação de capacidade até 2018.
O país pretende ampliar sua capacidade em 20 mil megawatts nos próximos 10 anos, expansão de quase 50% na comparação com os 42 mil megawatts produzidos atualmente. A demanda pode alcançar 45 mil megawatts neste verão. Já no inverno saudita, no final do ano, a produção não deve superar 30 mil megawatts. O consumo no país alcança o pico em julho e agosto, quando 70% da energia gerada é consumida por condicionadores de ar, devido às elevadas temperaturas do verão saudita.
Em seu relatório anual de 2009, a Saudi Electricity Company informou que pretende ampliar sua capacidade produtiva em 12 mil megawatts até 2015, com 2,5 mil megawatts ainda este ano.
Nos próximos três anos devem ser aportados US$ 28 bilhões para ampliar a produção. Cerca de metade da demanda elétrica saudita é suprida através da queima de diesel e outros derivados do petróleo. Gás natural é responsável por quase todo o restante.
O pico de demanda elétrica na Arábia Saudita cresceu 85% entre 1998 e 2008, bem acima da ampliação de 70% na capacidade de produção em igual período, segundo declarou o economista chefe do Banco Saudi Fransi, John Sfakianakis.
Citando dados oficiais, Sfakianakis declarou que o número de consumidores no país cresceu mais de 60% entre 1999 e 2008, sendo previsto aumento de mais 20% até 2020. A demanda residencial responde por cerca de metade do consumo, o governo e setor comercial por 25% e a indústria por cerca de 20%. Outras áreas são responsáveis por 5%.
No período, a produção de gás deve continuar crescendo em média 6% ao ano até 2013, montante igual ao alcançando no período de cinco anos terminado em 2008, segundo relatório da JP Morgan.
De acordo com a Saudi Aramco, a estatal petrolífera do país, os sauditas já são os quintos maiores produtores de gás natural no mundo, perdendo apenas para a Rússia, Estados Unidos, Irã e Argélia.
*Tradução de Mark Ament

