Alexandre Rocha
São Paulo – Ao realizar uma missão à Arábia Saudita para divulgar seu mercado de capitais, o Brasil está de olho em uma fatia de um mercado de US$ 90 bilhões. Este é o valor que os investidores do país árabe aplicaram em 2005 no mercado financeiro e de capitais internacional. A informação foi dada aos participantes da missão, realizada no último final de semana, em visita à Sagia, que é a agência saudita de promoção de investimentos.
"Eles querem ter uma carteira mais diversificada, que ofereça ao mesmo tempo boa rentabilidade e baixo risco", disse o superintendente-geral da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), Paulo Sampaio, que participou da delegação organizada pelo Ministério das Relações Exteriores.
De acordo com ele, não só os árabes, mas os investidores internacionais em geral, concentram seus recursos em títulos norte-americanos e europeus. "Queremos mostrar que no Brasil existe uma infra-estrutura de mercado para atender ao investidor estrangeiro, que está completamente enquadrada nos padrões internacionais", afirmou Sampaio.
Neste sentido, ele acredita que a missão foi um sucesso. "Entre os investidores havia muita curiosidade e também um grande desconhecimento do mercado brasileiro. Para muitos, o Brasil era visto somente como o país do futebol", declarou.
Com a presença dos brasileiros, os sauditas puderam saber mais sobre as regras do mercado brasileiro, o sistema tributário e sobre a rentabilidade dos ativos. Os integrantes da delegação informaram, por exemplo, que o governo acaba de isentar do imposto de renda os ganhos obtidos por investidores estrangeiros em aplicações em títulos públicos.
Oportunidade
Sampaio acredita que é possível atrair investimentos sauditas. "É possível. Talvez não em curto prazo, mas em médio prazo, com certeza. O principal era estabelecer este contato e mostrar que o Brasil tem de fato algo a oferecer", afirmou.
De acordo com ele, alguns investidores sauditas já aplicam dinheiro no Brasil. Isto, no entanto, é feito por meio de fundos, principalmente ingleses, que investem em papéis de países emergentes. Neste sentido, fica até difícil saber os valores envolvidos. "Nossa intenção é fazer com que eles invistam aqui diretamente, não apenas por meio de Londres", declarou.
Um setor que, segundo ele, os árabes demonstraram interesse já durante a missão foi o de seguros e previdência. Eles também ficaram interessados no know-how técnico brasileiro no que diz respeito ao desenvolvimento de sistemas de custódia e liquidação de ativos financeiros, que poderiam ser aplicados no próprio mercado saudita.

