Alexandre Rocha
São Paulo – Durante sua visita ao Brasil, os executivos de três grandes companhias estatais da Arábia Saudita deram início a tratativas para a formação de parcerias com empresas brasileiras. O objetivo é realizar investimentos conjuntos para garantir o abastecimento de matéria-prima ao setor siderúrgico saudita e de produtos petroquímicos à indústria brasileira. Estes investimentos podem se dar tanto em operações no país árabe, como no Brasil.
Compõem a delegação saudita Abdallah Dabbagh, presidente da Saudi Arabian Mining Company (Maaden), do setor de mineração; Homood Al-Tuwaijri, vice-presidente da Saudi Arabian Basic Industries Corporation (Sabic), que atua nas áreas de petroquímicos, fertilizantes e siderurgia; e Abdulwahab Al-Sadoun, diretor da agência de investimentos do país árabe, a Sagia.
Eles já estiveram no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo e visitaram empresas como a petroquímica Unipar, a Petrobras, a Companhia Vale do Rio Doce, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil. Ontem (02) Al-Tuwaijri e Al-Sadoun tiveram reuniões na petroquímica Braskem e na trading Comexport, uma das maiores do Brasil. A visita deles é uma resposta a duas missões que o Itamaraty realizou para a Arábia Saudita e outros países da região no ano passado, que contaram com a participação de diretores da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
“Na Braskem eles analisaram possibilidades de cooperação tecnológica. A empresa tem grande know-how no setor petroquímico e eles ficaram impressionados”, disse Rodrigo de Azeredo Santos, subchefe da divisão de operações de promoção comercial do Itamaraty, que acompanha a visita dos Sauditas. Já na Comexport o assunto foi a possível venda de fertilizantes sauditas para o Brasil.
Ontem também Al-Tuwaijri e Al-Sadoun estiveram na sede da Câmara Árabe em São Paulo e foram recebidos pelo presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr., o secretário-geral, Michel Alaby, o vice-presidente de relações internacionais, Helmi Mohammed Ibraim Nasr, e o diretor, Toufic Sleiman. Eles estavam acompanhados do encarregado de negócios da embaixada da Arábia Saudita em Brasília, Abdallah Alowaifer.
“Agora a troca de missões como esta vai se tornar uma rotina cada vez maior”, disse Sarkis. Os executivos sauditas ficam no Brasil até sábado. Hoje eles vão a Porto Alegre. “Eles estão bastante otimistas com os resultados da viagem”, acrescentou.
Na reunião, Al-Sadoun falou, entre outras coisas, sobre o trabalho da Sagia, que regula os investimentos estrangeiros no país. “Com a entrada da Arábia Saudita na Organização Mundial do Comércio (OMC), alguns setores serão liberalizados, como os de aço, alumínio e indústria petroquímica”, disse Alaby.
Educação
Outro assunto tratado foi o intercâmbio na área de educação, principalmente no que diz respeito ao ensino de idiomas. “Grandes empresários da Arábia Saudita têm interesse em auxiliar na divulgação da língua árabe”, disse Sarkis. Al-Sadoun recebeu de presente um exemplar do Dicionário Árabe-Português elaborado pelo professor Helmi Nasr, da Universidade de São Paulo (USP), e editado pela Câmara.
Uma das idéias nesta seara é levar jovens brasileiros para conhecer o país árabe, a exemplo do grupo de universitários sauditas que esteve no Brasil em 2005, viagem que foi organizada pelo Saudi Science Club e pela Câmara Árabe. “A Câmara se comprometeu a fazer um estudo para levar o assunto adiante”, afirmou Sarkis. “O ensino da língua é um caminho para os negócios e é importante também para que o comércio não seja o único motivo da aproximação”, acrescentou.
Durante a reunião, os diretores da Câmara fizeram também uma apresentação sobre as atividades e sobre o objetivo da entidade, que é aproximar economicamente e culturalmente o Brasil dos países árabes.

