Florianópolis – A Arábia Saudita tem interesse em conhecer mais de perto o agronegócio de Santa Catarina para possíveis investimentos e para aumentar as suas importações do estado. A informação é do governador catarinense, Luiz Henrique da Silveira, que recebeu ontem (15) a visita do embaixador saudita em Brasília, Mohamad Amin Ali Kurdi, em sua residência oficial, a Casa d’Agronômica, em Florianópolis. Kurdi está em visita oficial ao estado e esteve com o governador acompanhado do presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, do secretário-geral da entidade, Michel Alaby, e do seu assessor, Wail Hababi.
“Essa é a primeira vez que o embaixador vem a Santa Catarina, mas segundo ele, não será a última. O embaixador prometeu fazer uma segunda visita para ver de perto o nosso sistema de agribusiness. A Arábia Saudita é um país emergente e oferece grandes possibilidades de intercâmbio e complementaridade com nosso estado”, afirmou Luiz Henrique após receber o diplomata.
De acordo com o governador, o estado já exporta para o mercado saudita produtos do agronegócio como carne de frango. Vende também, segundo Luiz Henrique, motores e produtos cerâmicos, áreas nas quais as vendas podem ser ampliadas. Além disso, oportunidades para novos segmentos podem ser encontradas, como o de softwares de gerenciamento de empresas, setor que o estado vem desenvolvendo e encontrando destaque.
“O estado de Santa Catarina é um importante exportador de produtos do agronegócio para o Oriente Médio”, lembrou Schahin. A Câmara Árabe gostaria de ver mais investimentos de países árabes – incluindo Arábia Saudita – no Brasil e também investimentos brasileiros no mercado saudita e árabe, segundo Schahin. “Vemos na Arábia Saudita um enorme parceiro”, diz o presidente da entidade. O Brasil faturou, com exportações para os sauditas, entre janeiro e março, US$ 409 milhões.
Boa parte das exportações brasileiras à Arábia Saudita do primeiro trimestre foi oriunda de Santa Catarina. O estado faturou com vendas aos sauditas US$ 108,3 milhões entre janeiro e março. Houve um aumento de 7,5% sobre o mesmo período de 2008, quando a receita esteve em US$ 100,8 milhões. No topo da lista de produtos vendidos estão as carnes de frango, seguidas dos motores e de madeiras. O estado é um grande produtor de frango e abriga empresas exportadoras como Perdigão e Sadia. “Viemos discutir possibilidades de cooperação”, diz o embaixador Kurdi.
Catástrofe
O principal motivo da visita do embaixador saudita à Santa Catarina, no entanto, foi a situação peculiar em que o estado se encontra em função das chuvas que causaram mortes e prejuízos no estado entre o final do ano passado e o começo de 2009. “Vim conhecer as áreas afetadas”, afirmou o diplomata. Além de conversar com o secretário executivo de Justiça e Cidadania, Justiniano Francisco de Almeida Pedroso, Kurdi também sobrevoou, de helicóptero, várias cidades atingidas pelas chuvas, entre elas Blumenau.
Cento e oito municípios catarinenses tiveram prejuízos com as chuvas. Além de enchentes, que fizeram as águas invadirem casas, também houve deslizamentos de terra, que soterraram residências e seus moradores. Houve um total de 135 mortos. A maior parte morreu soterrada. Só nos dias 22 e 23 de novembro choveu mais que o dobro da média mensal em alguns municípios.
Um terço do estado – 34% da população – foi afetado, com dois milhões de pessoas atingidas. Também foram danificadas 23 estradas estaduais e ficou comprometido o Porto de Itajaí, que responde por boa parte da movimentação econômica do estado. O diretor de Defesa Civil do estado, Márcio Luiz Alves, apresentou os dados ao embaixador saudita. De acordo com sua explanação, o estado teve quatro mil pontos de deslizamento. Kurdi deve permanecer na capital catarinense até esta quinta-feira (16).

