Isaura Daniel
São Paulo – Quatro executivos sauditas chegarão ao Brasil neste final de semana para conhecer mais de perto o potencial do país nos setores de petróleo e mineração. O grupo será integrado pelo presidente da Saudi Arabian Mining Company (Maaden), Abdallah Dabbagh, o vice-presidente da companhia, Mansour Nasser, o vice-presidente da Saudi Arabian Basic Industries Corporation (Sabic), Homood Al-Tuwaijri, e o diretor da Saudi Arabian General Investment Authority (Sagia), Abdulwahab Al-Sadoun.
A Maaden atua no setor de mineração e é responsável por importações de minério do país, a Sabic é a maior petroquímica da Arábia Saudita e a Sagia é a agência governamental que responde pelos investimentos estrangeiros feitos no país. Os sauditas vão visitar 11 grandes companhias nacionais, além do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Brasil, e da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, e serão recebidos pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.
A viagem ao Brasil é resultado da missão que o Ministério das Relações Exteriores promoveu para a Arábia Saudita nos dias 22 e 23 de novembro, da qual o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, participou. Eles vêm ao Brasil a convite do Itamaraty. De acordo com o subchefe da Divisão de Operações de Promoção Comercial do Ministério, Rodrigo de Azeredo Santos, a intenção do governo federal é chamar a atenção das empresas sauditas para o Brasil.
"Eles vêm conhecer as empresas brasileiras que participam do setor de energia", afirma. De acordo com Azeredo, as empresas vão apresentar seus projetos para ver há espaço para o estabelecimento de cooperação. A intenção é que a visita gere negócios futuros para as companhias nacionais, já que a Arábia Saudita é um país em crescimento e com amplo potencial econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) da nação árabe, maior produtora de petróleo do mundo, ultrapassa US$ 240 bilhões.
Os sauditas chegam no Rio de Janeiro no domingo, onde, na segunda e terça-feira, vão visitar o grupo Ipiranga, que atua no refino e distribuição de petróleo, o Magnesita, do setor de minérios, a refinaria Manguinhos, a construtora Andrade Gutierrez, a Rio Polímeros (Unipar), a Petrobras, a Vale do Rio Doce e o BNDES. Em Brasília, onde eles estarão na quarta-feira, vai ocorrer o encontro com os ministros Amorim e Rondeau, além da visita ao Banco do Brasil.
Eles também se encontram com representantes da Braskem, da Odebrecht, da Comexport e da Câmara Árabe, em São Paulo, na quinta-feira. Na sexta-feira visitam a Petroquímica Triunfo, no Rio Grande do Sul.
Poder de compra
A Arábia Saudita foi a nação árabe que mais importou produtos do Brasil no ano passado, com US$ 1,2 bilhão. O número é 45,8% superior ao total comprado pelos sauditas do Brasil em 2004: US$ 826 milhões. Os produtos que ocupam o topo da pauta são as carnes de frango, minério de ferro, açúcar, aviões, tratores e chassis com motores. De acordo com Alaby, há muitas oportunidades para as empresas brasileiras no mercado saudita.
"O desenvolvimento do país é estupendo já que eles têm acumulado reservas em função do aumento dos preços do petróleo. O setor de construção é um dos que merece atenção especial pelas empresas brasileiras", diz o secretário-geral. O grupo de sauditas vai visitar companhias nacionais que atuam no setor, como a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Alaby também acredita que o Brasil pode vender mais automóveis e chassis para os sauditas, já que o consumo neste segmento também está em crescimento no país.

