Marina Sarruf
São Paulo – A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e o Escritório Comercial do Egito em São Paulo realizam hoje (22) o "Seminário Bilateral Brasil-Egito: do Algodão às Confecções", a partir das 14h na sede da Abit na capital paulista. O encontro tem como objetivo promover as relações comerciais do setor têxtil entre os dois países e vai contar com diversas palestras.
A abertura do evento será feita pelo diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel, seguido do cônsul comercial do Egito, Mohamed Bakry, que vai falar sobre a integração comercial entre os dois países. O país árabe é bem conhecido por sua produção de algodão de fibra longa e extra longa, que proporciona aos tecidos maior maciez e leveza.
Para das mais detalhes aos empresários sobre a matéria-prima egípcia, a entidade convidou o presidente da empresa brasileira Bonduki & Bonfio, Alfredo Bonduki, que vai falar sobre os fios egípcios como fatores de agregação de valor ao produto final. Atualmente, o Brasil já conta com muitas empresas que trabalham com os fios importados, principalmente para a fabricação de lençóis, toalhas, camisas e meias.
No primeiro semestre do ano, as importações brasileiras de algodão egípcio cresceram em 132% contra o mesmo período do ano passado, as de fios em 37,8% e as de tecidos em 119%. De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, um dos objetivos do seminário é, justamente, promover a matéria-prima egípcia, que segundo ele, pode ser importada em maior quantidade do país árabe.
Alaby também fará uma apresentação no seminário sobre as possibilidades de negócios não apenas com o Egito, mas com todos países árabes. "Vou falar sobre o potencial dos países árabes, o crescimento das exportações e importações brasileiras, os produtos já consolidados no mercado árabe e sobre o trabalho da Câmara Árabe", disse.
Outro palestrante será o presidente da trading Lotas, Abdel Mansour, que fará uma apresentação sobre o algodão egípcio do tipo giza, de fibras longas e extra longas, e suas características em produtos têxteis especiais. Para falar sobre o algodão brasileiro nos mercados nacional e internacional, o seminário vai contar com o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Rodrigues Cunha.
Outro assunto que será abordado é a formação profissional e a nova realidade da indústria têxtil brasileira, que será apresentada pelo diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Têxtil-SP), Fernando da Silva Afonso.
Produção de algodão no Brasil
A produção nacional estimada este ano é de 1,05 milhão de toneladas de algodão em pluma e de 1,7 milhão de toneladas de caroço de algodão. A área cultivada com o produto é de 844,4 mil hectares, o que representa uma redução de 28,4% em relação á safra 2004/2005, devido os preços de mercado pouco atrativos. O principal produtor nacional é o Mato Grosso, em seguido da Bahia e de Goiás.

