São Paulo – A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef) promete trabalhar forte este ano na abertura de mercados para compensar, em parte, as perdas com a valorização do real frente ao dólar, que tornou mais caro o produto nacional no exterior, e com a retração da demanda mundial ocorrida em 2009.
O diretor-executivo da entidade, Ricardo Santin, disse à ANBA que os mercados selecionados são Indonésia, Malásia, Nigéria, Sudão, México, Estados Unidos e Senegal. “Queremos abrir mercados para ter novas opções de vendas”, afirmou o executivo.
De acordo com ele, o setor passou bem pela crise financeira internacional, “mas não está saindo bem dela”, justamente por causa da depreciação do dólar, que obriga as empresas a diminuírem suas margens.
Os exportadores querem também que o Governo Federal desonere a indústria de alguns impostos, para diminuir os custos da cadeia, e pressione países que impõem barreiras consideradas “ilegítimas” ao produto brasileiro. Como exemplo, Santin citou a Índia.
Em 2009, as exportações brasileiras de frangos somaram 3,63 milhões de toneladas, volume bastante próximo ao embarcado em 2008. As receitas, porém, caíram 16,33% e ficaram em US$ 5,8 bilhões, contra US$ 6,9 bilhões no ano anterior.
Houve crescimento das vendas apenas para o Oriente Médio, que é o principal mercado do frango brasileiro, e para a África. Segundo Santin, foram esses dois mercados, especialmente o Oriente Médio, que evitaram uma queda maior das exportações em 2009.
Menos atingido
Ele destacou que não houve retração da demanda no Oriente Médio porque lá “o PIB foi menos atingido [pela crise financeira] do que em outras partes do mundo”. O executivo avalia também que a produção local não teve como acompanhar o crescimento do consumo, além de ter ocorrido uma oferta grande de produto importado a preços menores do que em 2008.
Outros fatores, segundo Santin, variam de país a país, como é o caso do Iraque, que ampliou bastante suas importações de frango, já que no passado recente elas eram quase inexistentes.
Ele afirmou ainda que cada vez mais o Brasil consolida mercados na região e amplia a qualidade do produto. O abata halal, feito de acordo com a tradição islâmica, por exemplo, está cada vez mais difundido nos frigoríficos brasileiros. “Cada vez há mais plantas habilitadas”, afirmou.
No caso da África, Santin disse que alguns mercados voltaram a ter liquidez por causa da retomada do preço do petróleo, como Angola, e outros, como a África do Sul, reduziram tarifas de importação.
O Egito, que faz pouco tempo não importava frango do Brasil, aumentou em mais de 100% suas importações. Nesse caso, porém, o executivo disse que o desempenho provavelmente se deve à conjuntura local. Há alguns anos o governo egípcio determinou o abate dos frangos do país por causa da gripe aviária e abriu o mercado para importações.
Outro fator que beneficia as vendas para a África é o aumento da renda da população. Segundo Santin, a primeira coisa que o cidadão faz quando tem algum dinheiro a mais é consumir mais proteína animal, sendo que a mais barata é o frango.

