Alexandre Rocha
São Paulo – Aumentar as exportações é o principal motivo dos investimentos que estão sendo anunciados pela indústria brasileira de celulose e papel para ampliar sua capacidade de produção. De acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os aportes no setor deverão chegar a R$ 20 bilhões entre 2007 e 2010.
“Toda a expansão é para suprir o mercado externo”, disse à ANBA a chefe do departamento de celulose e papel do BNDES, Adely Branquinho das Dores. Do total, o banco deve participar com financiamentos de R$ 11,7 bilhões.
Segundo Adely, a maior parte da chamada “celulose de mercado” produzida no Brasil já é exportada. Assim se chama o insumo que não é utilizado pelas próprias indústrias na fabricação de papel e é vendido para terceiros. Só para se ter uma idéia, o Brasil produziu 5,9 milhões de toneladas de celulose de mercado em 2005 e exportou 5,5 milhões. O país é o 7° maior produtor do mundo, sendo o primeiro em celulose de fibra curta.
No caso do papel, o mercado interno, com exceção do papel de imprensa, está totalmente atendido. “Não há sentido em instalar uma máquina para produzir 400 mil toneladas de papel por ano para o mercado interno, então os investimentos neste segmento também são para exportação”, disse Adely.
Um dos exemplos é do Klabin, maior produtora de papel do Brasil, que este mês anunciou um investimento de R$ 2,2 bilhões para ampliar a capacidade de produção de sua fábrica em Telêmaco Borba, no Paraná. Entre as melhorias, está prevista a compra de uma nova máquina para aumentar a fabricação de papel cartão de 330 mil toneladas por ano para 680 mil. A idéia é exportar cada vez mais.
Rumo ao Sul
De acordo com Adely, além do crescimento da demanda, está ocorrendo um deslocamento dos destinos dos investimentos do setor em escala internacional, com o fechamento de fábricas no Hemisfério Norte e um maior interesse por negócios no Sul.
“Isto tem a ver com a competitividade da nossa celulose. O custo da matéria-prima é baixo, não só por causa das condições climáticas favoráveis, mas também por conta do desenvolvimento tecnológico”, afirmou ela.
Todo o material utilizado na produção de celulose e papel no Brasil, de acordo com o BNDES, vem de florestas plantadas. São 1,7 milhão de hectares cultivados, sendo 75% com eucaliptos, 24% de pinus e 1% de outras espécies. As empresas têm investido em pesquisa e, no caso dos eucaliptos, as árvores ficam maduras em média com sete anos.
A maior parte dos investimentos previstos entre 2007 e 2010 vai para a produção de celulose. A previsão, de acordo com Adely, é aumentar a produção dos atuais 6,8 milhões de toneladas anuais para 11 milhões. Metade das exportações brasileiras do insumo vão para a Europa. A Ásia é o segundo maior mercado, respondendo por 25%. Segundo ela, as vendas externas do produto renderam US$ 2 bilhões em 2005 e devem chegar a US$ 2,45 bilhões este ano.
A produção de celulose no país é dominada por algumas grandes empresas, sendo as duas maiores a Aracruz, com 2,6 milhões de toneladas de capacidade instalada, e a Votorantim Celulose Papel (VCP), com 1 milhão de toneladas, seguidas da Cenibra, Veracel, Suzano Bahia Sul e Jari.
Mais papel
No caso do papel, a previsão é ampliar a produção das atuais 9,9 milhões de toneladas atuais para 11,6 milhões. Os principais mercados são os países sul-americanos, seguidos dos Estados Unidos e da Europa. No ano passado, as exportações brasileiras de papel somaram US$ 1,4 bilhão.
De acordo com o BNDES, as maiores na produção de papel são a Klabin, que responde por 17%, Suzano (13%), VCP (13%), IP (5%), Rigesa (4%), Orsa (3%), Inpacel (2%) e Trombini (2%). “Os papéis mais fabricados no Brasil são para embalagens e para escrever”, disse Adely.
Ainda segundo o BNDES, o setor de celulose e papel como um todo é formado por 220 empresas localizadas em 450 municípios de 16 estados brasileiros. Ele gera 110 mil empregos diretos.

