Marina Sarruf, enviada especial
Doha – As novas obras de construção civil de Doha, capital do Catar, estão indo para o mesmo caminho de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Prédios altos, casas e hotéis luxuosos, arquitetura moderna e diversos shoppings centers. Essa é a opinião dos empresários que participam da missão comercial ao Golfo Arábico organizada pela Federação das Indústria do Estado de Santa Catarina (Fiesc) e pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. “Dubai deu o ponta pé inicial. E agora, os demais países estão seguindo o mesmo caminho”, afirmou o proprietário da construtora Procave, Nivaldo Pinheiro.
Esta é a primeira vez que uma missão brasileira do setor de material de construção passa por Doha. A delegação já esteve no Kuwait e em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o presidente da Câmara Estadual da Indústria de Construção de Santa Catarina, José Antonio Vieira, os países do Golfo estão se constituindo em um novo pólo de atrações turísticas e de desenvolvimento de negócios. “A construção civil da região é o grande gerador de novos negócios, porque atrai comerciantes desse setor do mundo todo”, disse.
Um exemplo de sucesso no Catar é a empreiteira libanesa Al Fadil Trading and Construction, que há quatro anos firmou uma parceria com uma empresa do Catar para escavar terrenos. Hoje, 60% dos novos empreendimentos construídos foram escavados pela companhia libanesa. “Atualmente estamos trabalhando em 11 obras em Doha”, afirmou o gerente-geral da empresa, Firas Al-Jawhari.
A Al Fadil tem 30 escavadeiras, 27 caminhões para carregar areia e emprega cerca de 100 funcionários da Síria, Egito, Líbano e Nepal. Uma das obras que a empresa está escavando no momento é de um terreno de 20 mil metros quadrados, de onde já foram retirados 258 mil metros cúbicos de areia, faltando ainda 70 mil metros cúbicos para terminar. “Há cinco anos essa cidade era só deserto”, disse Al-Jawhari.
O boom do setor de construção no país é recente, mas a capital já conta com diversos hotéis de grandes redes internacionais, como Marriott e Sheraton. Este último é considerado um dos maiores e mais luxuosos do país. Com o formato de uma pirâmide, o hotel conta com cinco restaurantes e 371 quartos distribuídos por 11 andares. O Sheraton de Doha ficou muito conhecido em 2001 quando foi a sede da 4ª Rodada Mundial do Comércio, início da famosa "Rodada Doha" da Organização Mundial do Comércio (OMC).
De acordo com Pinheiro, essas construções arrojadas, que se sobressaem das convencionais são uma estratégia de marketing para atrair os olhos da mídia e dos turistas. “O (hotel) Burj Al Arab (em Dubai), por exemplo, é conhecido no mundo todo e virou um ponto turístico do emirado”, disse.
Atualmente, Doha se prepara para sediar a 15ª edição dos Jogos Asiáticos, equivalente na Ásia aos jogos Panamericanos que vão ocorrer no Rio de Janeiro em 2007. A cidade espera receber 45 mil pessoas para assistir ao evento que começa no dia 01 de dezembro e segue até o dia 15.
Cenário econômico
Localizado na costa oeste do Golfo, com 11.437 quilômetros quadrados de área e mais de 700 quilômetros de costa, o Catar tem uma população de 800 mil pessoas, sendo que a maioria é estrangeira. Gás e petróleo compõem mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, de US$ 35,4 bilhões. A renda per capita está entra as mais altas do mundo.
As reservas de petróleo do Catar correspondem a 5% das reservas mundiais, mas o principal produto de exportação é o gás natural líquido. É o gás principalmente que está impulsionando o desenvolvimento econômico do país e de seu setor de construção.

