Randa Achmawi
Cairo – A cantora palestina Kamilya Jibran, conhecida na Europa, fará dois concertos no Cairo, cidade do Egito, juntamente com o músico suíço Werner Hasler, nos dias 17 e 18 de julho, no teatro do Al Azhar Park, ao ar livre. Os dois artistas vão apresentar ao público egípcio suas novas experiências musicais conjuntas que se resumem num projeto chamado Wamid (faísca).
"Este projeto foi realizado pela primeira vez em 2004 e explora as possibilidades da música eletrônica através da combinação do sintetizador e de outras amostras sonoras de gravações como a música instrumental do alaúde", explica Kamilya.
Os dois artistas se conheceram na cidade de Berna, na Suíça, em 2002. Ele tinha até então trabalhado com jazz. Ela havia, até aquele momento, colaborado com um grupo musical árabe chamado Sabreen. No show do dia 17 a apresentação é conjunta e no do dia 18 Kamilya canta e toca o alaúde sozinha.
Originária da Galiléia, Kamilya nasceu em 1963 numa família de artistas de origem grega ortodoxa. "Por isso sofri inúmeras influências, tanto do canto bizantino da igreja de minha cidade natal quanto das recitações do Alcorão que meu pai costumava fazer", conta ela. Seu pai, Elias Jibran, era um fabricante de alaúdes.
O grupo Sabreen, do qual ela participou, faz canções sobre o destino dos palestinos. Ele tem no conteúdo das músicas textos de célebres poetas palestinos como Mahmud Darwish e Fadwa Tuqan e do romancista Hussein Al-Barghuti, já falecido. Quando foi convidada, em 2002, pela Fundação Pro-Helvetia, do governo suíço, para uma estadia artística de dois meses no país, Kamilya começou a colaborar com seu atual parceiro musical Werner Hasler.
Juntos eles criaram o espetáculo visual e sonoro que chamaram de Mahattat, palavra que em árabe quer dizer "estações". Desde então Kamilya investiu em inúmeras pesquisas musicais ligadas ao casamento de sons como o de seu próprio canto, o do alaúde e da música eletrônica. Hoje ela vive entre Paris e Berna.

