São Paulo – A brasileira Nair Goulart, presidente da Força Sindical na Bahia e presidente-adjunta da Confederação Sindical Internacional (CSI), vai contar a experiência brasileira com direitos femininos para mulheres árabes na próxima segunda-feira (12) na Jordânia. Nair será uma das palestrantes da reunião da Liga das Mulheres Árabes, que acontecerá em Amã, com a presença de 70 mulheres da Jordânia, Bahrein, Tunísia, Egito, Iêmen e Marrocos.
A Liga das Mulheres Árabes foi criada neste ano, com apoio de centrais sindicais dos países árabes e a CSI, com o objetivo de organizar as mulheres árabes em torno dos seus direitos. A primeira reunião do grupo aconteceu em março e a segunda será esta da Jordânia. “Foram elas que pediram para chamar alguém do Brasil”, conta Nair sobre as árabes, detalhando que o grande interesse delas é o fato de o País ter uma mulher como presidente, Dilma Rousseff.
Nair vai falar sobre as lutas das mulheres trabalhadoras no Brasil, desde o direito de voto, conseguido em 1932, até os dias atuais. “Não somos avançados em direitos das mulheres, elas são menos de 10% do nosso parlamento”, diz. Segundo ela, como as decisões que influenciam na vida das mulheres não são tomadas apenas no Poder Executivo – onde está Dilma-, elas deveriam também ter maior presença no Poder Legislativo.
A brasileira deve falar também sobre como é o nosso mercado de trabalho para mulheres. Ela cita alguns percentuais mostrando que nesta área o Brasil não é um dos mais avançados, como o fato de apenas 24% das empresas brasileiras terem mulheres em cargos de gerência. “As mulheres ganham quase 40% menos do que os homens no Brasil”, diz. Em participação política, segundo ela, o Brasil é o menos avançado da América Latina.
Na reunião em Amã será formulado um plano de ações para 2012. Também serão debatidos temas sobre direitos femininos em geral, na área trabalhista e outras instâncias, e transmitido a elas o que dizem convenções internacionais, como Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre o trabalho feminino, e abordados os possíveis caminhos para a promoção da igualdade de gêneros. “O objetivo é fortalecer esse processo inicial da organização”, diz Nair, sobre o propósito da reunião, que segue até terça-feira (13).
Em função da sua atuação na CSI, Nair vai ajudar as mulheres árabes a se organizarem. “Nosso papel é dar apoio à organização das mulheres em cada país. Essa é uma região estratégica, importante, onde as mulheres estão em uma situação de muita discriminação e desigualdade”, conclui a sindicalista. Nair foi a primeira secretária nacional da Mulher na Força Sindical.

