Damasco – O embaixador do Brasil na Síria, Edgard Casciano, disse nesta segunda-feira (20), durante visita ao estande do Brasil na Feira Internacional de Damasco, que este é um bom momento para estar presente no país árabe, tanto do ponto de vista econômico, quanto do político. “É um momento muito interessante para se estar na Síria”, afirmou o diplomata à ANBA.
De acordo com ele, a economia do país passa por um processo “gradual, mas firme” de abertura e modernização. Casciano acrescentou que a Síria não tem sentido com muita intensidade os efeitos da crise financeira internacional.
“Por ser uma economia em que há muita regulação, os efeitos [da crise] têm sido atenuados”, declarou. “Na área cambial, por exemplo, quase não se notou”, afirmou, ressaltando que o regime de câmbio é flutuante, mas que a libra síria tem mantido seu valor.
“O grande desafio do país é criar empregos pois a taxa de crescimento populacional é muito alta”, destacou o embaixador. Nesse sentido, tornam-se mais importantes ainda os esforços de modernização e diversificação da economia, que é muito dependente das exportações de petróleo.
Para tanto, a estratégia local é a atração de investimentos estrangeiros diretos, inclusive do Brasil. Além de gerar empregos, isso traz novas tecnologias ao país. “O aumento do investimento é uma preocupação, pois os estoques locais são limitados”, afirmou o diplomata. Mesmo no setor petrolífero, segundo o embaixador, existem oportunidades ainda não exploradas, especialmente na costa.
Casciano disse também que o turismo tem crescido “de forma muito acentuada”, com a entrada de grandes cadeias hoteleiras internacionais e a construção de novos empreendimentos destinados ao setor.
“O país está aberto para examinar todos os tipos de propostas na área de investimentos”, declarou o embaixador. É nesse cenário que se insere a visita que o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, faz a Damasco esta semana. Ele vai se encontrar com representantes de diferentes setores do governo e lideranças empresariais. “A visita é importante sobretudo para prospectar, para identificar os setores [com maior potencial]”, acrescentou.
A feira
A Câmara Árabe tem um estande na feira em parceria com a embaixada brasileira. Nele, o analista de Desenvolvimento de Mercado da entidade, Rafael Abdulmassih, fala aos visitantes interessados sobre o trabalho da Câmara, oportunidades de negócios no Brasil e distribui material de divulgação.
Nesta segunda-feira, por exemplo, Firas Abou Jeib, gerente-geral da Abou Jeib for Trading, uma empresa local de comércio exterior, esteve no estande para buscar informações sobre exportadores brasileiros de especiarias, especialmente pimenta. Ele já importa cera de carnaúba do Brasil e revende no mercado sírio.
A feira é multissetorial e mista. Isso quer dizer que ela inclui estandes institucionais, como o do Brasil, de outros países, de entidades, governos e empresas, mas também de venda direta ao consumidor.
A mostra é aberta ao público em geral e visitá-la é um programa familiar. Ela começa no final da tarde, por volta das 17h30, justamente para atrair o público após o horário de trabalho. Nesse horário o clima também é mais ameno, já que durante o dia faz muito calor em Damasco nessa época do ano.
É possível encontrar todos os tipos de mercadorias, desde roupas, alimentos e eletrodomésticos, até veículos e máquinas industriais. Há presença forte de outros países árabes e da indústria local, inclusive uma montadora de automóveis, a Syrian-Iranian Automobile Manufaturing Company (Siamco), que expõe um carro chamado “Sham”, nome em árabe que designa a região do “Levante”, onde a Síria está localizada.
Diplomacia
Na seara política, Edgard Casciano lembrou da visita do presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva ao país em 2003 e das quatro visitas feitas pelo Chanceler Celso Amorim, a última na época do ataque israelense à Faixa de Gaza, na Palestina, no início do ano. “O ministro [Amorim] foi recebido pelo presidente Bashar Al-Assad e seu gesto (a visita) foi muito apreciado por aqui”, afirmou.
O embaixador acrescentou que a Síria está “rompendo um período de isolamento internacional relativo”, imposto durante o governo do ex-presidente norte-americano George W. Bush. Agora, com a gestão de Barack Obama, a diplomacia dos Estados Unidos no Oriente Médio vem se tornando menos ofensiva. “Importantes dirigentes internacionais têm visitado a Síria”, concluiu.

