Alexandre Rocha
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São Paulo – O Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, vai começar a treinar médicos brasileiros e estrangeiros para a realização de cirurgias com a utilização do robô Da Vinci, equipamento que é usado pela instituição desde o dia 30 de março. De acordo com o superintendente de Relações Institucionais da entidade, Paulo Chapchap, o aparelho pode ser utilizado em qualquer operação feita por laparoscopia.
“Mas nas cirurgias muito simples, como as de vesícula, não vale a pena usar o robô. Sua grande indicação é para cirurgias como a de câncer de próstata, onde a próstata é retirada totalmente”, disse o médico ontem (28) à ANBA. Esse procedimento, segundo ele, é bastante invasivo e geralmente realizado por meio de operação convencional. O uso do robô, no entanto, reduz a dor no pós-operatório, pois dispensa a realização de corte, e torna o procedimento mais fácil.
O Da Vinci é uma máquina dotada de quatro braços que movimentam os instrumentos introduzidos no corpo do paciente por meio de pequenos furos, sendo que um deles leva uma câmera. O cirurgião controla o equipamento à distância, vendo a imagem do interior do corpo por um monitor e movimentando os braços mecânicos por controles manuais.
Segundo Chapchap, além de tornar a operação menos invasiva, o aparelho permite ter maior precisão na movimentação dos instrumentos. Além disso, o médico tem total comando da câmera, o que permite uma visão melhor da área a ser operada.
O Sírio comprou dois Da Vinci, fabricados nos Estados Unidos. O primeiro, já em uso, custou US$ 1,75 milhão e serve o Centro Cirúrgico do hospital. O segundo, que custou US$ 1,5 milhão, será utilizado apenas no Centro de Ensino e Pesquisa da instituição e deve ser entregue em maio.
Antes mesmo da entrega da segunda unidade, o hospital promove hoje o 1° Curso de Introdução à Cirurgia Robótica em Urologia, à partir das 07 horas. Além das palestras, os participantes vão acompanhar uma operação feita com o uso do robô, no próprio hospital, por meio de teleconferência.
Entre os palestrantes estará o médico norte-americano Vipul Patel, diretor do Global Robotics Institute do Florida Hospital, considerado, segundo informações do Sírio, um dos grandes nomes da cirurgia robótica no mundo. O instituto treina cerca de 7 mil médicos por ano.
O Sírio-Libanês negocia atualmente com a instituição norte-americana uma parceria na área. Segundo Chapchap, a idéia é mandar cirurgiões brasileiros para fazer treinamento nos EUA e trazer especialistas de lá para dar aulas no Brasil. Para ele, fica mais barato para médicos do Brasil e de outros países latino-americanos fazer o curso aqui do que ir até a Flórida.
Atualmente, de acordo com Chapchap, 10 médicos do Sírio estão capacitados para usar o robô, mas até o final do ano o hospital pretende treinar 450 profissionais brasileiros e estrangeiros.
O equipamento pode ser utilizado em outras áreas da medicina. Em maio, por exemplo, ele será usado em uma cirurgia ginecológica.
Mais informações
Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês
Tel: +55 (11) 3155-0200
E-mail: iep@hls.org.br
Site: www.hospitalsiriolibanes.org.br/iep

