Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – A dinâmica do setor de tecnologia é grande e acaba originando nichos de mercado rapidamente ocupados pelo empresário que está atento. Um exemplo é o dos jogos de computador, segmento no qual começa a despontar a competência brasileira. Em Londrina, norte do Paraná, um grupo de microempresas uniu-se em torno do que já é reconhecido como um pólo do setor no País.
É nele que atua a Oníria, responsável por um jogo que entrou na lista dos 20 games mais vendidos no mercado alemão. O ranking, elaborado pela empresa germânica VUD, foi divulgado em janeiro deste ano. Intitulado Die Pferdbande (ou A Gangue dos Cavalos), baseado em um romance homônimo, o game vendeu 15 mil cópias entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano.
Os resultados positivos obtidos na Alemanha fazem a Oníria pensar em novos mercados. A empresa está preparando uma versão em francês e outra em holandês. O objetivo é que elas tenham tanto sucesso quanto A Gangue dos Cavalos ou Space Shooter, outro campeão de vendas lançado em 2001 e comercializado na Alemanha, Áustria e Suíça.
Realidade virtual
Engana-se, no entanto, quem imagina que estes programas têm como função única o entretenimento. Eles servem de base para a incursão em outras áreas, como treinamento de pessoal e simulações. E aqui se abre uma nova oportunidade. Juliano Bastos Alves, diretor comercial da Oníria, diz que o setor está atento a estas novas possibilidades e vem se dedicando a atender estas demandas.
Um dos mercados que surge é o de "business games", ou "jogos de negócios", em que há simulações de situações reais com as quais o administrador de uma empresa tem de lidar; outro é o de "advertising games", ou "jogos de propaganda", nos quais o foco é o tratamento dado à marca de um determinado produto.
No Japão
O mercado nipônico, altamente rigoroso e competitivo, também rendeu-se ao software made in Brasil. A Malisoft, com sede em Curitiba, é outro exemplo da competência tupiniquim na área. A empresa comemora aumento de 300% nas exportações de programas de computador para lá. Os japoneses, atualmente, respondem por 60% do faturamento da companhia. E há espaço para crescer mais, diz Hélio Sifoni, diretor.
Desde o ano de 2000 a Malisoft garimpa negócios no mercado japonês. Desde então, conta Sifoni, foram cerca de 15 viagens para o Japão, dez participações em feiras de tecnologia e oito palestras proferidas a empresários nipônicos. Foram assinados, ao longo destes cinco anos de relacionamento comercial, 16 acordos, que se transformaram em 12 contratos de serviços. O último foi celebrado durante a visita do presidente Luís Inácio Lula da Silva ao país, no mês de maio. Trata-se de um programa para mensagens via web desenvolvido especialmente para uma companhia japonesa de tecnologia que tem como clientes 400 empresas listadas na Bolsa de Tóquio.
O talento brasileiro no setor de software aproveita a grande demanda internacional por produtos de tecnologia. "O mundo todo, especialmente os países desenvolvidos, percebeu (a importância da informática) e vem investindo pesadamente no desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias", observa Wolney Betiol, coordenador do Conselho Temático de Política Industrial e Inovação Tecnológica da Federação das Indústrias do Paraná. O empresário que apostar no segmento, certamente, vai ganhar.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

