São Paulo – O Sudão quer garantir o seu crescimento com investimentos na agricultura. Os planos do país árabe e africano na área foram detalhados nesta sexta-feira (06) pelo ministro da Agricultura sudanês, Al-Zubair Bashir Taha, em visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. De acordo com Taha, o aumento do tamanho da agricultura é uma das estratégias do país para combater a crise econômica mundial. O Sudão é um produtor de petróleo e os preços da commodity tiveram forte queda nos últimos meses.
O ministro afirmou, em entrevista à ANBA, que o Sudão tem feito parcerias com países do Golfo Arábico e da África na área agrícola. Investidores de vários países, aliás, já vêm plantando no Sudão e o governo sudanês tem interesse em que esse movimento cresça. A meta de crescimento agrícola também tem como objetivo tornar o Sudão um fornecedor importante em um mundo preocupado com a segurança alimentar.
De acordo com Taha, o seu país quer a parceria do Brasil neste plano agrícola, com fornecimento de máquinas e equipamentos para as plantações, além de tecnologia de cultivo dos produtos, preparo da terra, entre outros. No seminário na Câmara Árabe estiveram presentes cerca de 40 pessoas, a maioria empresários da área de tecnologia ou máquinas para agricultura. Eles tiveram a oportunidade de apresentar suas empresas e falar sobre os seus produtos à autoridade sudanesa e sua equipe.
Taha convidou os empresários a participarem da missão que o ministro da Agricultura do Brasil, Reinhold Stephanes, prometeu realizar ao país árabe. O ministro sudanês foi recebido por Stephanes na última semana em Brasília. Foi o ministro brasileiro, aliás, que convidou Taha para vir ao Brasil. Foi a primeira vez que Taha esteve no Brasil e também na América do Sul, segundo ele.
O Sudão tem atualmente entre 35% e 40% do seu Produto Interno Bruto (PIB) atrelado à agricultura. O país produz alimentos como trigo, milho, gergelim, girassol, frutas e verduras, madeira, carnes e cana-de-açúcar. O Sudão quer começar a produzir, de acordo com Taha, também arroz e soja. De acordo com Taha, há grandes extensões de terra disponíveis no país, além dos recursos hídricos necessários para a plantação.
O governo local fez um levantamento das áreas mais propícias para cada cultura no país, o que foi apresentado por Taha aos empresários brasileiros em São Paulo. O ministro lembrou ainda que foram reduzidos – e em alguns casos suprimidos – impostos sobre a agricultura, reduzidas tarifas externas para vários alimentos e não há teto para os investimentos agrícolas no país. “Nossa moeda esteve estável nos últimos cinco anos”, disse.
No final deste mês será inaugurada, no Sudão, uma usina de etanol cujos equipamentos foram fornecidos pela Dedini, empresa brasileira desta área. O ministro Taha também visitou a empresa, líder mundial em máquinas para o setor sucroalcooleiro, durante sua estadia no Brasil. No seminário na Câmara Árabe e nos demais encontros, Taha esteve acompanhado do embaixador do Sudão em Brasília, Omer Salih Abubakr.
Mais parcerias
Abubakr também abordou, no encontro com empresários brasileiros, o plano de revitalização agrícola do Sudão. O embaixador falou, inclusive, sobre as possibilidades de parceria do Brasil com o país árabe na área de fosfato. “[O presidente] Lula disse que o Brasil precisa de fosfato e o Sudão tem muito fosfato”, disse Abubakr. De acordo com o ministro, uma das metas do Sudão, na Cúpula dos Países Árabes e Sul-Americanos, que vai ocorrer neste mês no Catar, é discutir parcerias na área de fosfato com o Brasil.
O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, também falou no seminário, aberto pelo o vice-presidente de Marketing da entidade, Rubens Hannun. Alaby discorreu sobre áreas nas quais o comércio entre Brasil e Sudão pode crescer, como exportação sudanesa de goma arábica, especiarias e couros. O comércio entre os dois países é favorável ao Brasil, que exporta ao país árabe desde maquinário até ovos e carnes.
Taha recebeu uma placa de homenagem da Câmara Árabe das mãos do presidente do Conselho Superior de Administração da entidade, Walid Yazigi, e também participou de um almoço, na entidade, juntamente com empresários brasileiros.

