São Paulo – O ministro da Agricultura e Irrigação do Sudão, Ibrahim Hamid, esteve nesta terça-feira (10) na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, para um encontro com empresários brasileiros do setor de maquinário agrícola e material escolar. Ele estava acompanhado por uma delegação de representantes do governo e do setor privado de seu país. Eles foram recebidos por Michel Alaby, diretor-geral da Câmara Árabe.
Também faziam parte da delegação sudanesa Anwar Khalifa, diretor-executivo do Gabinete do Ministro da Agricultura; Mansour Fath Elrahman Mansour, diretor do Diretório Geral de Investimentos, Abd Elghani Elkarim, embaixador do Sudão em Brasília e Alamin Abdellatif, presidente do Grupo CTC, holding que atua em setores como agronegócios, engenharia e eletrônicos. Rosanne Marchesich, vice-representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Sudão, e Júlio Lage, representante da FAO no Brasil, também participaram do encontro.
A visita da delegação a São Paulo finaliza a agenda dos sudaneses no país, que começou no dia 02, em Brasília. Eles estiveram na capital federal até o dia 07 para conhecer o programa de alimentação escolar brasileiro, que é ligado à produção da agricultura familiar. Nos dias 08 e 09, eles estiveram visitando fazendas em Cuiabá, no Mato Grosso.
“Estivemos aqui por dez dias para ver a experiência brasileira em redução da pobreza e na agricultura comercial. Há grandes oportunidades de cooperação entre o Brasil e o Sudão”, afirmou Hamid em sua apresentação.
De acordo com Hamid, a agricultura representa 34% do PIB sudanês. À parte as exportações de petróleo, os produtos agrícolas correspondem a 90% das vendas externas sudanesas. No Sudão, 54% da força de trabalho atua na agricultura. “O Brasil pode contribuir com equipamentos e investimentos no Sudão”, destacou o ministro.
Ele falou ainda sobre a infraestrutura de seu país, que possui 72 aeroportos, seis portos e mais de 2,5 mil quilômetros de extensão de rios navegáveis.
Paulo Hegg, empresário brasileiro e sócio da Brazilian Agroindustrial Company (BCA), empresa que atua no setor de agronegócio do Sudão, também falou aos presentes sobre sua experiência em investir no país árabe.
“É o país da África que está melhor preparado para oferecer condições de investimentos especialmente em agricultura e mineração”, ressaltou. Segundo ele, os custos da produção de alimentos no Sudão são muito mais baratos que no Brasil.
O empresário também apontou outra vantagem da agricultura sudanesa. “O país é extremamente seco, o que contribui para a não proliferação de pestes”. Apesar do clima seco, disse, o Sudão tem boas condições de irrigação. No ano passado, a BCA teve um faturamento de US$ 22 milhões no Sudão, com plantações de culturas como algodão, girassol, milho e feijão.
A empresa paulista de máquinas agrícolas Jacto atua há cerca de seis anos no Sudão. A indústria exporta pulverizadores agrícolas para pesticidas ao país árabe por meio da CTC. “Tem um mercado bem grande lá, com um potencial de crescimento grande. Eles (os sudaneses) estão investindo bastante em agricultura. A gente vê como um dos nossos mercados chaves na África”, avaliou Marco Aurélio Cardoso, executivo regional de vendas.
Já o embaixador Elkarim apontou a sólida parceria com a Câmara Árabe como facilitadora para os negócios de seu país. “Consideramos a Câmara Árabe nosso parceiro estratégico na promoção de negócios entre o Brasil e o Sudão. Esta visita de uma delegação de alto nível é uma clara manifestação da escolha do Sudão pelo Brasil como seu parceiro estratégico de negócios”, disse.
Educação
Em Brasília, a delegação sudanesa participou de reuniões com o Itamaraty, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
A delegação governamental conversou com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, e com o Secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arnoldo de Campos.
Conforme citado, o objetivo da visita à Brasília foi conhecer o programa de alimentação escolar brasileiro. “Uma das coisas mais importantes é que o Brasil ligou a segurança alimentar e a redução da pobreza diretamente aos pequenos produtores e isso foi importante não somente para que os pequenos produtores melhorassem sua posição econômica, mas para toda a economia (do país)”, afirmou Hamid.
Além do conhecimento sobre merenda escolar, o governo sudanês também tem interesse em adquirir material escolar do Brasil. No encontro em São Paulo, Nicolau Candalaft, gerente de Exportação da Faber-Castell do Brasil, falou sobre a pretensão de sua empresa em fornecer produtos ao país árabe.
“O objetivo no Sudão é ampliar nossa participação no continente africano, mas também entrar com um projeto de programa escolar de auxilio à educação. O mais importante é contatar o governo para ter um programa de distribuição de produtos da Faber-Castell para as escolas no Sudão”, contou o executivo.


