São Paulo – O novo embaixador sudanês em Brasília, Omer Salih Abubakr, quer promover a transferência de tecnologia brasileira ao Sudão. Ele destacou três grandes empresas brasileiras de interesse para o país árabe: a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Petrobras, de petróleo, e a Embraer, de aviões. "Nosso sonho é ter o Brasil como um parceiro", afirmou o embaixador, que assumiu o cargo no início do mês no lugar de Rahamtalla Mohamed Osman.
Segundo Abubakr, os dois países têm muitas similaridades, o que ajuda nas relações comerciais. Na área agrícola, por exemplo, o Sudão tem 500 milhões de hectares de terras cultiváveis, é o maior país em extensão do continente africano e possui 140 milhões de cabeças de animais, como bois, camelos e ovelhas. "Gostaríamos de formar uma parceria com a Embrapa e poder contar com um escritório (da empresas) em Cartum", disse o embaixador.
O Sudão, como o Brasil, tem uma grande produção de cana-de-açúcar e muito interesse na tecnologia brasileira para fabricação do etanol. Segundo o embaixador, os dois países não têm porque se preocupar com o uso das terras para produção de cana-de-açúcar para produção do etanol. "É diferente de outros países que utilizam o milho, por exemplo (para a produção)", disse ele, referindo-se às acusações de alta no preço dos alimentos em função dos biocombustíveis. "Somos a favor do Brasil", acrescentou.
Outra parceria que o embaixador vai tentar buscar é com a Petrobras. "A descoberta de petróleo (no Sudão) é recente. Hoje, 70% da renda do país vem do petróleo", disse Abubakr. Segundo ele, até o final do ano o Sudão vai exportar um milhão de barris de petróleo. "Precisamos da experiência da Petrobras", disse. O terceiro setor que o embaixador também quer trabalhar é o de aviação. "Gostaríamos de aprender e cooperar com essa empresa que está crescendo muito", disse sobre a Embraer.
Abubakr, que esteve ontem (24) na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, conversou com o presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr, para que os setores privados dos dois países se aproximem mais. "É preciso levar missões brasileiras para o Sudão. É um país muito atrativo para investimentos", disse o embaixador. Ele afirmou ainda que pretende fazer diversos projetos com a Câmara Árabe para estabelecer uma ponte entre os empresários.
Segundo o embaixador, o Sudão faz fronteira com 10 países, entre eles Arábia Saudita (do outro lado do Mar Vermelho), Líbia e Egito. "O Brasil pode usar o Sudão para conseguir entrar nos outros países. Podemos estabelecer um acordo de comércio para facilitar as exportações", afirmou Abubakr. "A África é um continente verde que ainda tem muito a ser explorado", acrescentou. Petróleo, diamante, ouro, fosfato e terras estão entre os seus principais atrativos.
Comércio bilateral
De janeiro a junho, as exportações brasileiras para o Sudão somaram US$ 24,1 milhões contra US$ 22,5 milhões no mesmo período do ano passado. Os principais produtos embarcados foram leite integral, fumo, maquinários agrícolas, carnes e medicamentos. Já as importações brasileiras do país árabe foram US$ 144,5 mil nos seis primeiros meses do ano, contra US$ 34,6 mil no mesmo período de 2007. "O Sudão importa muito do Brasil e queremos trabalhar para equilibrar a balança", disse o embaixador. Pele de ovinos, goma arábica e plantas para cosméticos e produtos farmacêuticos foram os principais produtos sudaneses importados pelo Brasil.

