Cartum – O Sudão começou a utilizar 10% de etanol misturado à gasolina e vai ampliar sua produção para continuar a exportar e ao mesmo tempo atender a demanda local. “O etanol foi formalmente reconhecido como combustível no Sudão”, disse à ANBA o diretor gerente da Kenana Sugar Company, Mohamed El Mardi El Tegani, durante conferência sobre segurança alimentar no mundo árabe realizada nesta segunda-feira (20) em Cartum, capital do país africano.
Segundo ele, a comercialização da gasolina misturada com álcool começou no mês passado e o produto recebeu o nome de Nile Ultra E-10, em referência ao Rio Nilo, que fornece água para a agricultura sudanesa, e à porcentagem do biocombustível na composição.
Kenana é pioneira na produção de etanol em escala comercial no país e tem planos de ampliar consideravelmente sua produção. Segundo Mardi, a ideia é passar dos 65 milhões de litros anuais produzidos hoje para 200 milhões de litros em dois anos.
Para tanto, a empresa, que tem capital dos governos da Arábia Saudita, Kuwait e Sudão, conta com fornecedores brasileiros de máquinas e equipamentos. A usina de etanol da companhia foi construída pela paulista Dedini.
O executivo afirmou que a partir de agora será mais fácil para os brasileiros fornecerem produtos ao Sudão, pois o Senado Federal aprovou na semana passada o reescalonamento de uma dívida do país africano com o Brasil, o que abre caminho para a concessão de crédito para exportação pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O Brasil perdoou a maior parte de uma dívida de US$ 43,5 milhões contraída nos anos 70 e 80, sendo US$ 4 milhões referentes ao montante original e o restante aos juros. O acordo negociado pelos governos dos dois países no final do ano passado prevê o pagamento de US$ 4,3 milhões pelo Sudão em 12 parcelas trimestrais. A pendência impedia a liberação de financiamentos pelo BNDES.
“Esta é uma boa oportunidade para fornecedores brasileiros entrarem no mercado sudanês”, destacou Mardi, acrescentando que uma delegação de empresários brasileiros deverá visitar o país africano em breve.
Além do aumento da produção de etanol, ele ressaltou que a Kenana planeja ampliar significativamente a fabricação de açúcar e a utilização de biomassa para geração de energia. No caso do açúcar, o projeto é passar das atuais 850 mil toneladas anuais, produzidas pela própria Kenana e pela subsidiária White Nile, para 2 milhões de toneladas em cinco anos.
O executivo acrescentou que já vem discutindo com companhias brasileiras a produção de etanol de segunda geração, feito a partir da celulose, ou seja, utilizando biomassa.
Para realizar estes e outros projetos, incluindo um terminal de cargas, a empresa vai contar com US$ 200 milhões, além de igual quantia em injeção de recursos dos acionistas, segundo Mardi. A iniciativa de aumentar o capital da companhia é resultado de um apelo feito pelo rei da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdulaziz, para que os órgãos de fomento e as empresas mantidas em conjunto por países árabes aumentassem seus capitais em pelo menos 50%. Com o aporte, de acordo com Mardi, a Kenana decidiu adiar a oferta de ações que pretendia fazer na Bolsa de Johanesburgo, na África do Sul.


