São Paulo – O embaixador do Sudão em Brasília, Abd Elghani Elnaim Awad Elkarim, disse nesta quarta-feira (16), durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira , em São Paulo, que espera que mais negócios sejam realizados por empresas do Brasil em seu país. “Esperamos companhias irem ao Sudão para produzir soja, milho, tomates, peixes, etc.”, afirmou o diplomata. “Mantemos discussões com mineradoras também”, acrescentou.
Com base em algumas experiências bem sucedidas de empresas brasileiras, como o grupo Pinesso, que atua na agricultura sudanesa, e a indústria Dedini, que forneceu os equipamentos para a primeira usina de etanol do país africano, o Sudão quer atrair mais negócios. “Estamos chamando as companhias brasileiras a se beneficiar de um lugar especial que oferecemos”, declarou Elkarim.
Ele afirmou que, após a separação do país entre Norte e Sul, em julho, o Sudão “conseguiu absorver as consequências” e “está se preparando para melhorar os seus recursos”. “Isso inclui os setores de petróleo, mineração, agricultura, pecuária e outros. Muitos investidores da Ásia e do mundo árabe estão indo para o país”, ressaltou. “Estamos lançando a segunda república do Sudão”, afirmou.
Com o Brasil, o embaixador acrescentou que há conversas nas áreas de recursos hídricos e saneamento e na seara do programa Mais Alimentos África, lançado no mês passado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que pretende oferecer assistência técnica para produtores africanos e facilitar a exportação de implementos agrícolas do Brasil para o continente.
Elkarim afirmou que a Câmara Árabe pode ajudar no trabalho de promoção dos negócios entre os dois países dando apoio a eventos, workshops e missões. “Ainda temos um ‘gap’ de informações [entre os dois países] que precisamos diminuir”, disse. “Nem todo mundo no Sudão, por exemplo, sabe dos avanços que o Brasil obteve nas áreas de etanol e biodiesel. Sabem de coisas como a Amazônia e o esporte, o que também é importante, mas é preciso mostrar que o País tem mais capacidade, que é uma potência emergente”, destacou.
O embaixador, que participou de um encontro de empresários brasileiros sobre investimentos na África, organizado pelo Instituto Lula, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informou ainda que recentemente o Sudão suprimiu a necessidade de vistos de entrada para brasileiros que têm passaportes diplomáticos, oficiais e pessoas em missões oficiais.

