Marina Sarruf
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São Paulo – Para atrair mais investimentos estrangeiros aos setores de energia, agricultura e construção civil, o Sudão elaborou uma nova lei, no final do ano passado, para facilitar a abertura de empresas estrangeiras no país. Segundo o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que se encontrou ontem (28) com o ministro dos Investimentos do Sudão, Abdalla Elhag Mohammed, em Cartum, não existe mais a necessidade de formar parcerias locais, o empresário estrangeiro pode ter 100% do capital.
“O país está em construção e está recebendo muito investimento estrangeiro. Seria interessante se os brasileiros começassem a investir no Sudão”, afirmou Alaby, que viajou ao país para participar da Feira Internacional de Cartum, que começou quarta-feira (23) e segue até dia 01 de fevereiro.
De acordo com Alaby, estima-se que com um capital inicial de US$ 100 mil pode se abrir uma empresa estrangeira no Sudão. As licenças de funcionamento são centralizadas no Ministério do Investimento e o custo para tirá-las é de US$ 3,5 mil, aproximadamente. Alaby disse ainda que se deve contratar um advogado local para apresentar o contrato de registro. “As alíquotas locais são de 15% sobre os lucros para o Imposto de Renda e de 15% para o imposto de valor agregado, o equivalente ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)”, disse.
O secretário-geral da Câmara Árabe e o ministro sudanês falaram sobre as grandes reservas de cimento que existem no país e das oportunidades para explorá-las. Por enquanto, apenas quatro empresas trabalham com a exploração: uma egípcia, uma dos Emirados Árabes Unidos e duas estatais do Sudão. Segundo Alaby, o preço da tonelada do cimento no país é de US$ 400, muito acima do mercado internacional.
Outro setor onde há oportunidades é o petroquímico, principalmente em uréia proveniente do gás. No ano passado, o país importou 200 mil toneladas do produto. O setor de construção civil é outra área em expansão. “Há carências de construtoras para obras públicas e privadas”, disse Alaby. Os principais países presentes nesse ramo no país são China, Malásia, Coréia e Egito. Para 2008, o Sudão prevê um crescimento de 8% em sua economia, mesmo aumento do ano passado.
A reunião de Alaby com o ministro sudanês contou com a presença do embaixador do Sudão no Brasil, Rahamtalla Osman, que também está no país para acompanhar a presença brasileira na Feira Internacional de Cartum.
Hoje, Alaby vai visitar o grupo sudanês Danfodio Holding, que atua nas áreas de construção, trading, transporte, fabricação de ar condicionado, vidro, aço, distribuição, consultoria e treinamento. Outra visita agendada é na Kenana Sugar Company, maior produtora de açúcar do país.
Feira
No estande da Câmara Árabe na feira, o gerente de exportação da Itatiaia Móveis, Christian Barbosa, está com negócios quase fechados. “Estou em negociação com três empresas, uma do Egito e duas do Sudão”, disse. Segundo ele, até o final da mostra ele deverá ter fechado uma parceria com cada país. Desde o início do evento, mais de 20 empresários demonstraram interesse nos móveis brasileiros.
Além da Itatiaia, o estande brasileiro está representando empresas dos setores de cosméticos, material cirúrgico, alimentos, têxtil, equipamentos agrícolas, madeira e luminárias.

