São Paulo – O Sudão necessita de US$ 14 bilhões em investimentos para melhorar sua infraestrutura e aumentar a produção agrícola e mineral. A estimativa é do Departamento Econômico da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes e foi apresentada nesta quarta-feira (10) no Fórum de Segurança Alimentar e Mineração, em Cartum, na capital sudanesa. O encontro segue nesta quinta-feira (11) e tem a promoção da União Geral.
O diretor geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, participa do fórum, que também conta com a presença de representantes do governo e de entidades do setor privado sudanês, além de executivos de outras câmaras de comércio. O dado dos US$ 14 bilhões foi apresentado pelo presidente honorário da União Geral, Adnan Kassar. O presidente da entidade, Mohammadou Ould Mohammad Mahmoud, também esteve presente.
Um dos tons das discussões do primeiro dia de fórum, segundo Alaby, foi o potencial do Sudão para produção de alimentos e a necessidade de cooperação internacional, principalmente de países árabes, para desenvolver a área agrícola e pecuária. De acordo com dados divulgados no encontro, o Sudão tem mais de 150 milhões de hectares de terra com água em abundância, com necessidade apenas de construção de canais a partir do rio Nilo e seus adjacentes.
No fórum foi citado como exemplo a parceria entre Brasil e Sudão na plantação de algodão e soja. A empresa Brazilian Agroindustrial Company, criada pelos empresários brasileiros Paulo Hegg e Gilson Pinesso, leva adiante um projeto com plantio de 11 mil hectares no país árabe. Segundo Kassar, maior investimento no Sudão permitiria abastecimento do mercado interno e também exportação de grãos para países árabes e outras nações africanas.
Também há necessidade de cooperação internacional para desenvolver o setor mineral. O Sudão tem reservas de ouro, mármore, cobre e manganês, entre outros. A produção de ouro alcançou 50 toneladas no ano passado e deverá chegar a 70 toneladas neste ano. Segundo informações divulgadas no fórum e informadas à ANBA por Alaby, há 25 corporações internacionais interessadas em extração mineral no Sudão.
Um dos entraves ao investimento, porém, segundo os participantes do fórum, é a falta de coordenação de todos os órgãos sudaneses envolvidos para definição de uma política agrícola. Além da federação, também os estados legislam na área agrícola e também na mineral, de acordo com informações de Alaby.
Outro problema para o aumento dos investimentos é o embargo norte-americano ao Sudão, que dificulta o acesso a financiamentos para a compra de máquinas em geral, necessárias para o desenvolvimento do país. A importação de máquinas, porém, tem taxa de importação zero. Os participantes também mencionaram a necessidade de regras claras para repatriação de lucros e dividendos do país, de desburocratização dos investimentos, além da criação de uma janela única para que estrangeiros possam conversar com o governo.
Ainda no agronegócio, o diretor geral do grupo saudita Alwadi, Moussa Frizze, falou sobre a dificuldade em investir no setor avícola no Sudão, em função das instalações frigoríficas inadequadas e sistema de transporte ineficiente, o que encarece o produto e prejudica o consumidor local. A temperatura alta é, segundo ele, outra dificuldade para investir. Por isso, segundo Frizze, o grupo está focando em produzir em outros dois países árabes, no Líbano e no Egito.
O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), no entanto, vem financiando projetos de pequenas e médias propriedades agrícolas no Sudão, além de outros países africanos como Etiópia e Egito. As atividades são de subsistência e o foco é ajudar estes agricultores a desenvolverem novas técnicas para aumento de produtividade.


