São Paulo – O Sudão precisa de know-how nas áreas de mecanização agrícola e produção de fertilizantes e, para ter acesso a esse tipo de conhecimento, quer atrair o interesse de empresas estrangeiras. Esse foi um dos temas de reunião que o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, e representantes do Itamaraty tiveram ontem (02) no Ministério dos Investimentos do país.
“A agricultura é a principal prioridade deles, por causa da questão da segurança alimentar”, disse Alaby. Ele conversou com o vice-ministro, Awadelkarim Ballah El Tayyeb, o vice-gerente de Projetos e Pesquisa do ministério, Mohammed El Mahi El Hadi, e um representante da comissão agrícola da pasta, Abdel Dafi Ali.
O governo sudanês pretende incentivar parcerias entre investidores locais e estrangeiros no ramo agropecuário e se dispõe a ceder o uso de terras por períodos de 30, 50 e 99 anos, dependendo do empreendimento. Segundo Alaby, há a promessa de analisar os estudos de viabilidade dos projetos no prazo de 30 dias.
O Sudão tem grande disponibilidade de terras férteis e um rebanho de cerca de 130 milhões de cabeças de animais como bovinos, caprinos, ovinos e camelos. Há, no entanto, problemas de abastecimento.
De acordo com Alaby, existe, por exemplo, um déficit crônico de 2 milhões a 3 milhões de toneladas de açúcar por ano. Além do açúcar, o Sudão quer produzir mais produtos como milho, soja e trigo.
Ou seja, além de ampliar a produção, o país precisa melhorar seu sistema de distribuição de produtos, aumentar o número de armazéns, frigoríficos e silos e desenvolver toda a infraestrutura de transportes.
O governo quer atrair investimentos estrangeiros para estas áreas e, segundo Alaby, a legislação sudanesa garante o mesmo tratamento tanto ao capital local como ao internacional. Há especial interesse em empresas de engenharia e construção.
Durante a reunião, os representantes do governo sudanês falaram ainda de oportunidades nos setores de petróleo, gás e mineração de diferentes tipos de metais. Participaram do encontro também o chefe da Divisão de Feiras e Turismo do Itamaraty, Flávio Marcílio Sapha, e o secretário Pedro Yacoubian, da embaixada brasileira em Cartum.
Feira
Ontem foi o segundo dia da Feira Internacional de Cartum, que tem um estande brasileiro organizado pela Câmara Árabe e a embaixada, e conta com três empresas expositoras: Grendene, de calçados, JBS, de carnes, e Fiasini, de móveis.
Alaby contou que foi procurado na mostra por três empresários interessados em importar equipamentos médicos do Brasil, além de outros que querem comprar produtos agrícolas como açúcar e café.

