São Paulo – Importadores do Sudão querem ampliar as compras de produtos agrícolas brasileiros. O assunto foi discutido no domingo (31) em reunião do presidente da Associação de Empresários Sudaneses, Abdul Kader Al Saud, e outros diretores da entidade, com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, e o secretário Pedro Yacoubian, da embaixada do Brasil em Cartum. Alaby está na capital do país africano para participar da Feira Internacional de Cartum, mostra multissetorial que começou ontem.
“Tratamos das relações comerciais entre os dois países e das necessidades dos empresários locais”, disse Alaby. De acordo com ele, os sudaneses têm interesse em ampliar as importações de açúcar e comprar mercadorias como óleo de soja, milho e sorgo.
No ano passado, o açúcar respondeu pela maior parte das exportações brasileiras ao Sudão. Os embarques do produto renderam US$ 63,7 milhões, num total de US$ 97,34 milhões em mercadorias embarcadas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Não houve comércio dos outros itens agrícolas citados pelos sudaneses.
Segundo Alaby, Saud manifestou a intenção de vir ao Brasil em abril com uma delegação empresarial.
Na manhã de ontem, Alaby, o embaixador brasileiro em Cartum, Antonio Pedro, Yacoubian e o chefe da Divisão de Feiras e Turismo do Itamaraty, Flávio Marcílio Sapha, estiveram com o vice-diretor de Relações com as Américas do Ministério das Relações Exteriores do Sudão, Tariq Hassan Abusalih. A Câmara Árabe participa da Feira de Cartum em parceria com o Itamaraty.
Eles conversaram sobre a presença do Brasil pela quinta vez consecutiva na mostra e sobre projetos em estudo no Sudão, especialmente na área de infraestrutura. Abusalih afirmou que há dificuldade em obter financiamento de bancos brasileiros para a realização de negócios bilaterais.
O diplomata contou, segundo Alaby, que a principal empresa do ramo sucroalcooleiro do país, a Kenana Sugar Company, vai construir uma refinaria com financiamento indiano e equipamentos fornecidos pela índia, embora o projeto esteja a cargo de uma companhia brasileira de engenharia. No ao passado, a Kenana inaugurou uma usina de etanol construída com material importado da brasileira Dedini.
Os brasileiros se reuniram também com o diretor executivo do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Yassir Mohamed Ali.
A feira
Ontem houve a abertura da feira pelo vice-presidente do Sudão, Ali Osman Mohammed Taha. Além da Câmara Árabe e do Itamaraty, marcam presença no estande brasileiro a indústria de calçados Grendene, por meio da sua distribuidora local, a Niniah Trading; a fábrica de móveis Fiasini; e o grupo JBS, do ramo de carnes, cujo representante chega hoje a Cartum.
A feira, segundo Alaby, tem 550 expositores, entre eles países como Indonésia, Índia, Irã, Egito, Quênia, Turquia, China, Bielorrússia, México, Grécia, Chipre e Áustria, além do Brasil.
O secretário-geral da Câmara Árabe contou ainda que, numa visita ao um dos principais shoppings da cidade, o Afra, viu um quiosque com propaganda e sandálias Ipanema, fabricadas pela Grendene. Os chinelos eram vendidos a 10 libras sudanesas, o que dá cerca de US$ 4,50.

