Alexandre Rocha, enviado especial
Brasília – O governo do Sudão quer que a Petrobras invista na exploração de petróleo no país árabe. Este foi um dos assuntos tratados ontem (9) durante uma reunião bilateral realizada entre os chanceleres do Brasil, Celso Amorim, e do Sudão, Mustafa Osman Ismail. "Nós convidamos a Petrobras para ir ao Sudão trabalhar no setor de petróleo", disse Ismail à ANBA.
Segundo o ministro sudanês, seu país tem um enorme potencial na área. "Em agosto nossas exportações de petróleo deverão chegar a 500 mil barris por dia e, em 2008, a 2 milhões de barris por dia", afirmou. "Estudos preliminares dão conta de que o Sudão está localizado sobre um verdadeiro lago de petróleo", acrescentou.
De acordo com ele, uma série de companhias internacionais já atuam no setor em seu país. São originárias da China, Índia, Paquistão, Malásia, Indonésia, Coréia do Sul, outros países árabes e França.
Além do petróleo, Ismail afirmou que o aumento das relações econômicas com o Brasil é essencial. Para ele, o Sudão "precisa" de produtos brasileiros, especialmente os voltados para a área de infra-estrutura, como rodovias e aeroportos. O ministro disse que o governo sudanês pretende investir US$ 6 bilhões no setor este ano.
"Temos interesse em aumentar o comércio, os países árabes precisam do Brasil e dos países sul-americanos, para produtos agrícolas por exemplo, assim como o Brasil precisa dos árabes por causa do petróleo", declarou. Ismail ressaltou ainda que o Sudão tem uma localização estratégica, às margens do Mar Vermelho, terras férteis e recursos hídricos abundantes.
Na área diplomática, Ismail encaminhou ao seu colega brasileiro um convite para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visite o país. Ele lembrou que em janeiro do próximo ano o Sudão vai sediar a Cúpula dos Países Africanos e, em março, a Cúpula dos Países Árabes. "Nestes eventos haverá chance para o presidente Lula participar como convidado especial", afirmou.
Além de Ismail, Amorim se encontrou também com os chanceleres do Egito, Ahmed Aboul Gheit; da Argélia, Abdelaziz Belkhadem; do Catar, Ahmed Abdulla Al-Mahmoud; da Tunísia, Abdelbaki Hermassi, e do Suriname, Maria Elisabeth Levens.
Acordo cultural
Com o governo egípcio, Amorim assinou um acordo na área cultural. O documento prevê, entre outras coisas, o intercâmbio de espetáculos e exposições artísticas, a exibição de filmes, a possibilidade de distribuição conjunta de filmes, a cooperação entre museus, a realização de exposições que representem o patrimônio cultural de cada país, o aperfeiçoamento da legislação sobre direitos autorais e a tradução de obras selecionadas.
O tratado prevê também a cooperação na área de educação, com a possibilidade de criação de mecanismos para a formação e intercâmbio de professores, inovação curricular, ensino de crianças com necessidades especiais, programas de alfabetização de jovens e adultos, entre outras ações.
"Assinamos um acordo cultural, mas temos a expectativa de que o ministro (Gheit) possa voltar ao Brasil em uma visita mais prolongada porque, além desse contexto geral, em que os dois países exercem evidentemente um papel muito importante, é também fundamental que os dois maiores países do mundo árabe e do mundo sul-americano possam se encontrar", disse Amorim, segundo informações da Agência Brasil. "O Egito e o Brasil sempre tiveram ótimas relações políticas e culturais", acrescentou Gheit.

