Alexandre Rocha
São Paulo – Rico em petróleo, mas carente de uma série de outros produtos e serviços, o Sudão representa um mercado com grande potencial de negócios para as empresas brasileiras. "O Sudão é um país que está em processo de expansão. Há, por exemplo, presença maciça dos chineses nos setores de petróleo e construção civil; de companhias da Malásia, na construção civil e hotelaria; e da Índia, na área de informática", disse o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que esteve no país africano para participar do seminário "Desenvolvimento do Investimento e Transferência de Tecnologia nos Países Árabes por meio da Cooperação Árabe-Européia", que ocorreu em Cartum no final de semana.
Alaby aproveitou para se encontrar com empresários de diversos segmentos. No setor de obras, por exemplo, existem, de acordo com ele, oportunidades na construção de estradas, pontes, portos, aeroportos, hospitais, escolas, entre outros empreendimentos. Há também espaço para exportação de leite em pó, carnes, alimentos processados, máquinas e equipamentos agrícolas, equipamentos para a indústria do couro e uma série de outras mercadorias.
Na outra mão, segundo Alaby, o Sudão, além do petróleo, é um grande produtor de algodão, goma arábica, que é utilizada na fabricação de chicletes e produtos farmacêuticos, e de henna, utilizada na indústria de cosméticos.
Os empresários brasileiros vão poder conhecer melhor o potencial do mercado sudanês na Feira Internacional de Cartum, que vai ocorrer entre os dias 31 de janeiro e 02 de fevereiro de 2006. A Câmara Árabe vai participar da mostra pela primeira vez.
As exportações do Brasil para o Sudão vêm crescendo. Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do governo federal, os embarques renderam US$ 48,5 milhões entre janeiro e outubro, um aumento de mais de 10% em comparação com o mesmo período do ano passado. As mercadorias mais vendidas foram caminhões, açúcar e tratores.
Fórum
Do seminário realizado no final de semana participaram cerca de 500 pessoas, entre empresários e representantes de entidades de trabalhadores. O evento foi organizado pela Associação dos Empresários e pela Federação dos Empregados do Sudão, com o apoio da Liga dos Estados Árabes e da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, entidade da qual a Câmara Árabe Brasileira faz parte.
De acordo com Alaby, participaram representantes de câmaras de comércio de diversos países árabes, como Jordânia, Síria, Arábia Saudita, Omã, Líbano e Egito, além de diversas câmaras árabe-européias (Portugal, Grécia, Áustria, Alemanha, França, Inglaterra, Bélgica, Itália e Suíça) e outras entidades setoriais do mundo árabe. Da América do Sul, a Câmara Árabe Brasileira foi a única participante.
De acordo com Alaby, durante o seminário, os empresários locais pediram ao governo maior transparência nas leis, menos burocracia e mais incentivos à entrada de investimentos estrangeiros. Os participantes falaram também da importância da capacitação de mão-de-obra.
Com mais de 2,5 milhões de quilômetros quadrados de área, o Sudão é o maior país da África e tem uma população de 34,3 milhões de habitantes. Apesar da agricultura ser a base da economia do país, a produção de petróleo vem crescendo. As exportações do produto giram em torno de 500 mil barris por dia, mas o governo local estima que elas vão chegar a 2 milhões de barris diários em 2008.

